30/04
2012
Bonita por dentro e por fora
Categoria(s) Off-Topic
Ana Farias

É sempre bom saber que a gente pode fazer alguma diferença no mundo, né?

Tirar o olho do próprio umbigo é bom, faz com que a gente possa relativizar nossos problemas, deixar passar o que poderia gerar acúmulo de energia ruim, e atrai carma bom – o que não pode ser ruim!

E o bom é que ninguém precisa ter muito dinheiro pra ajudar um pouquinho. Quem tem um tempinho extra pode sempre encontrar um trabalho voluntário que se encaixe na agenda, e quem pode contribuir com dindim tem várias causas boas por aí precisando de defensores.

Às vezes nem é preciso doar apenas. Muitas empresas conscientes abraçam ONGs e fundações beneficentes ou de pesquisa, assim, ao adquirir determinados produtos a gente ajuda também. Caso da MAC com a linha Viva Glam, que doa o valor total da venda pro MAC AIDS Fund (entidade que auxilia diversas instituições de apoio a portadores do vírus da AIDS em todo o mundo).

Querem ver algumas formas de consumir beleza por dentro e por fora?

A joalheria Ganish tem uma linha de jóias com a logomarca da Fundação do Câncer, cuja venda retorna como doação pra instituição. São colares com pingentes disponíveis em prata (R$ 90), em ouro amarelo, branco ou rosa (R$ 600), e ouro com diamantes (R$ 1.590). Mais informações AQUI.

A joalheria Lisht participou esse ano do movimento Vista essa causa, da ONG Rio eu amo eu cuido, com uma linha de doze plaquinhas em ouro amarelo retratando cartões postais famosos da cidade (Cristo, Pão de Açúcar, Arcos da Lapa, o calçadão de Copacabana) e elementos típicos da cena carioca (prancha de surf, água de coco, biquíni, chinelos, guarda-sol). Da venda, 30% do lucro é revertido pra ONG – que ajuda a promover ações de cidadania como limpeza das praias, por exemplo. Outras grifes cariocas participaram da ação, pra se informar melhor clique AQUI.

A Contém 1g desenvolveu uma linha com três batons em prol da ONG Operação Sorriso, que ajuda a financiar cirurgias reparadoras em crianças portadoras de fissura lábio-palatina (lábio leporino). Estima-se que no Brasil uma a cada 650 crianças nasce com o problema. Os batons custam R$39, e 10% da venda é revertida para a ONG. Para saber mais, clique AQUI.

Não deu tempo de divulgar, mas minha amiga jornalista e blogueira Julia Morales organizou mais um bazar beneficente no Café Bazar no último dia 28, dessa vez em prol da ONG AMAR Amigos dos Animais de Rua – que reúne protetores da grande Florianópolis. Eles recolhem, alimentam, tratam, castram e disponibilizam os bichinhos pra doação. O objetivo principal da ONG é castrar o maior número possível de animais (serviço que oferecem gratuitamente para a comunidade carente, e com preço amigo pra população em geral), e pra isso eles precisam de doações. Dá sempre pra ajudar, e pra saber como é só clicar AQUI.

Costumo ajudar a APBP (Associação dos Pintores com as Bocas e os Pés). Trata-se de uma coopertiva internacional cujos membros são artistas incapacitados de usar as mãos para pintar – todos os quadros são feitos com a boca ou o pé, e é com a venda de suas reproduções (em cartões, calendários, marcadores, e outros artigos) que eles retiram seu sustento. Com a renda levantada a sociedade oferece bolsas pra que outros possam desenvolver essa habilidade. Recebo de vez em quando pelo correio alguns cartões e um boleto bancário. Fácil fácil de contribuir.

Se vocês conhecem algum grupo que faça um trabalho bacana, e quiser deixar como dica nos comentários, vou adorar. :)



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12/04
2012
Será a Glamour a nova Nova?
Categoria(s) Comportamento, Livros e Revistas, Off-Topic
Ana Farias

Faz uns dias já que comprei o primeiro número da Glamour brasileira. Passei o olho por ela rapidamente, mas só hoje parei pra ler (consultório médico, dá pra devorar metade de Guerra e Paz antes de ser chamada).

Resumindo minha impressão geral, a revista tem uma mega vibe Cosmopolitan para adolescentes.

Não sei se nunca tinha parado pra ler direito os exemplares estrangeiros que passaram pela minha mão, mas isso me surpreendeu um pouco. Matéria ensinando a fazer sexo oral no bofe, texto enaltecendo orgia só porque o evento acontece em Londres e os participantes são super ricos, jovens e bonitos – juro que queria ver a abordagem se o bacanal fosse na Vila Mimosa!

Assim, não sou nenhuma puritana nem nada, mas qual o por quê? Da existência? Do gasto material e profissional? Por que não falar de sexo de uma maneira mais responsável e de forma que faça diferença? As manhas a gente aprende com observação – in loco ou sintonizando no Multishow sábado depois de meia noite (quem nunca). Não tem roda pra ser reinventada, e já basta a Nova e suas 754 dicas mensais de sexo avassalador - tanto que o manual precisa ser lacrado! hahaha

O que pra mim pareceu deslocado é que a revista é extrema e explicitamente teen. Não teen “amo a franja do Justin Bieber”, mas ainda assim teen. Início dos 20 teen. Pode não ser de propósito, mas é o que dá a entender pela linguagem e pelas matérias, tudo curto, superficial e com vocabulário facilitado. Porque né, é muita urgência nessa vida, ninguém tem tempo pra apreciar o que se está lendo nem pra refletir sobre.

As informações são mínimas e a comunicação é feita por fotos mais do que com palavras. Daqui a pouco não se entende mais nem com seta. A professora em mim grita que essa “modernização” de conteúdo só contribui pro empreguiçamento mental que a gente assiste aí todo dia.

Não falo do conteúdo em termos de novidade porque hoje em dia não dá pra pegar uma revista e esperar tópicos inéditos – a internet transforma tudo em notícia velha depois de duas horas, não tem como competir. Por isso acho que não dá pra revista querer acompanhar o ritmo, tem mais é que (re)encontrar o seu.

E isso vale pra linguagem e pra valor de informação também. Pra que pagar pra ver uma página com fotos de artistas que se inspiram nos pôneis malditos e pintam o cabelo de rosa e um textinho de dez palavras que se resume na frase a moda agora é ter cabelo rosa, se meses atrás o povo já tava cansado de ver foto disso de graça no google (e provavelmente já tinha concluído que entre artistas a moda agora é ter cabelo rosa)? Não é sobre o que se fala, e sim sobre como se apresenta o conteúdo, e de uma forma geral achei tudo muito fraco.

Mas a revista tem seus pontos fortes, claro. A seção de beleza eu adorei. As de moda também, embora eu pessoalmente acredite que seriam muito melhores se focassem menos no mundo fantástico das it girls e apresentassem algo diferente do que já é repetido por aí – sei que é a abordagem do franchising, gente, mas não faz sentido. Já existe revista demais estapeando a cara da sociedade com suas roupas grifadas e suas camisetas podrinhas pela bagatela de dois mil reais.

Quando vão lançar uma boa revista com dicas acessíveis pro público consumidor de moda que não tem um orçamento condizente com o de uma herdeira, e que não possui pretenções de se endividar a troco de it bag? Ou seja, que não pretende ser parte do grupo preferido de uma vendedora da Daslu, aquele que “faz das tripas coração pra comprar o que quer” (página 83)?

Aliás eu nem sabia que ser “dasluzete” era tão hype e especial, pra mim essas meninas eram só vendedoras da Daslu. Mas, de qualquer forma, a entrevista com elas é uma das melhores coisas da revista: embora com certeza não fosse a intenção, elas ensinam direitinho alguns dos artifícios que usam (e qualquer outra vendedora costuma usar) pra fazer a mulherada fechar compra. Meio como um manual pra não cair em tentação por causa de #truques.

As seções de comportamento e amenidades foram gasto desnecessário de florestas, árvores faleceram for nothing. Pra não dizer que desgostei de todo, uma matéria (que podia ter rendido MUITO mais) foi boa: a visão de profissionais de diferentes formações sobre a eterna angústia e insatisfação feminina no matter what. Fecharam nas que estão entre 25-35, mas acho que o buraco é mais embaixo, e não importa a idade pra se sentir frustrada por não ter, por não ser, ou por precisar demais do novo pra se sentir feliz (coisas, pessoas, ganhos, etc). Teve também a menina que perdeu a irmã gêmea, que se suicidou – um assunto muito triste mas compartilhado por outras pessoas, e que merecia ter sido abordado e discutido de forma muito mais profunda.

No todo, faltou coesão, acho. E sobrou exemplo de contradição. Uma hora tá a diretora magérrima se gabando de ter perdido três quilos, aí depois uma foto da Marylin Monroe toda gostosa de biquíni e a frase “antes da glorificação do skinny havia algo chamado sexy“, mais pra frente uma matéria ensinando truques pra emagrecer/parecer mais magra vapt vupt. Ainda no editorial, a definição que se dá pra revista é que o glamour a que se propõe é “zero esnobe, pra todos os gostos e bolsos”, e não é isso que se vê já nas páginas seguintes.

Mas o que não entendi MESMO foi uma matéria que vai gerar outro post no final de semana – porque este aqui já tem palavras demais, né gente! rs

ps: a foto é da queridíssima Fernanda Alves, que escreveu sobre a revista no So Shopaholic e pelo visto teve a mesma impressão que eu.

ps2: gente, a brincadeira da comparação com a Nova foi só por causa da parte do amorzinho quente e safadjenho, tá! rs São duas revistas bem diferentes!



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29/03
2012
Trendy Box 20
Categoria(s) #TrendyBox, Off-Topic, S.A.C.
Ana Farias

********** ENCERRADO **********

Então chegamos ao número 20 da caixa de desapego!

Dessa vez tem um produto que comprei e usei uma vez e estou vendendo, pra dar tem quatro que foram experimentados, um usado, e 19 novos (alguns em kits). Vocês poderão escolher dez produtos, a caixa dessa vez vai ter o custo de 25 reais porque tenho uma aqui pra reciclar e não precisarei pagar por outra no correio.

Sobre questionamentos que surgiram há algumas semanas atrás, é uma pena que nem todo mundo compreenda a proposta da Trendy Box, que é passar pra frente produtos que recebo de empresas e não quero manter (seja pelo motivo que for) pra quem lê o blog e confia em mim. Sim, porque é preciso confiança pra acreditar que eu vou enviar exatamente o que estou descrevendo.

Desde o início coloquei que não teria condições de arcar com despesas de correio nesse caso (que não é só envio, é caixa e passagem também). O sorteio só é feito porque mais de uma pessoa costuma se interessar – e não seria muito mais fácil pra mim simplesmente entrar em contato com as pessoas que comentam há mais tempo, logo com quem tenho algum tipo de relação, ainda que superficial, e oferecer os produtos? Mas não é o que faço, abro a oportunidade inclusive pra quem não lê o blog.

Quem não se interessa pela ideia, ou não gostou e não participa, ok. Mas enquanto houver interesse pelo desapego, farei os posts, e sem causar nenhum tipo de custo extra pra mim. Se for pra ser assim, distribuo pra quem estiver perto apenas, e estiver disposta a vir em minha casa buscar. Quem tem uma vida adulta normal, contas pra pagar, responsabilidades, deve entender essa questão da cobrança. Se faço um sorteio comum, o ônus é meu. Mas nesse caso não é um sorteio comum.

É só fazer as contas de quanto eu gasto pra enviar (4 passagens de R$2,75 + caixa R$4,80 + envio entre 14 e 20 reais) e de quanto a interessada gastaria pra comprar os produtos novos que vão em cada caixa. Daí, decidir se vale a pena cobrir esses gastos. Quem tiver alguma dúvida sobre como surgiu o desapego, só ler o post com opinião de leitoras AQUI.

Finalizando, temos que colocar na cabeça que quem tem alguma coisa contra a gente, interesse em nos prejudicar, meios pra fazer isso e tempo sobrando, sempre vai achar um jeito de distorcer/inventar a história que for pra tentar nos deixar mal. Não costumo acreditar em tudo que ouço, e procuro me policiar pra não julgar quem não conheço sem ter uma amostra concreta de comportamento. Até por medo de carma mesmo, porque acredito profundamente que tudo que a gente faz de bom ou de ruim tem volta.

Agora pras interessadas: a Trendy Box 20!

Escolham no máximo dez produtos, e escrevam no comentário o que querem, ok?

O hidratante Feito Brasil, o óleo e o hidratante Paixão foram usados uma vez. O reparador de pontas da Wella Professionals foi usado algumas vezes (pouco menos de 1/4 da embalagem), a sombra Tattoo foi comprada semana passada e vou vender por 15 reais (quem quiser fora da TB por favor diga isso nos comentários, quem chegar primeiro tem preferência). O gloss do Duda usei pra fazer um swatch na mão (o aplicador não foi encostado em minha boca). Todo o restante é produto novo que não foi mexido. O modelador de seios tem em três tamanhos (42, 44, 46), quem quiser pode escolher um dos três.

Tirando a sombra, todos os produtos foram enviados pelas empresas pra mim ou pra sorteio (coisa que decidi não fazer mais nesse tipo de caso, então coloco na TB). Quem não conhece o funcionamento do desapego Trendy Box, por favor não deixe de ler este post AQUI antes de deixar comentário. :)

1. Sombra Color Tattoo Maybelline na cor Fancy & Tangy, usada uma vez. Vendo por 15 reais (swatch AQUI).

2. Gloss Duda Molinos na cor Purple Haze (usado em swatch AQUI).

3. Batom Modern Duda Molinos (nunca usado, comprei um antes de ganhar esse).

4. Hidratante Essência Musical Tropicália para peles expostas ao verão (usado uma vez, é maravilhoso! Repassando só porque tenho hidratante demais em casa).

5. Modelador de seios Eva com três pares (escolher entre tamanhos 42, 44 e 46).

6. Ecobag com cheirinho de chá da Anna Pegova (nunca usada)

7. Tenshi Eliana Poá Café com Leite (lindinho, novo, vem com 24).

8. Band-Aid infantil Princesas e Carros (caixas fechadas).

9. Óleo Paixão Romântica (usado uma vez, resenha AQUI).

10. Hidratante Paixão Romântica (usado uma vez, resenha AQUI).

11. Creme facial diurno FPS15 Olay Complete (caixa fechada).

12. Coleção Impala Rebelde (nunca usada).

13. Roll on RoC Lifting Eye Complete Lift (caixa fechada).

14. Serum bloqueador solar RoC Minesol Antioxidant FPS30 (caixa fechada).

15. Reparador de pontas Perfect Ends da linha System Professionals da Wella (serum levinho).

16. Kit com nécessaire + 4 esmaltes de tratamento Risqué Technology (sem uso – quando recebi já tinha comprado pra mim).

Escolham até dez produtos e deixem os números correspondentes nos comentários. Quem quiser a sombra, não se esqueça que ela custa 15 reais, ou seja, a caixa sai por R$40. Quem quiser a sombra à parte, deixe um comentário do tipo “quero a sombra mesmo sem ser sorteada”.

Resultado no sábado!

Essa saiu pra…

Já entro em contato!

 



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Trendy Box 18
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Desapego: Trendy Box 17
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09/03
2012
Internet, esse recreio de marlboro
Categoria(s) Comportamento, Off-Topic
Ana Farias

Quando fiz meu primeiro blog lá nos idos de 2002 (?), era meio que um diário visitado por três ou quatro amigos. Eu achava o máximo essa nova forma de se relacionar com o mundo, ainda que meus “leitores” já tivessem me ouvido contar as mesmas histórias pessoalmente. Ou seja, quem me lia tinha um certo conhecimento da minha vida pessoal, e tinha inclusive visto muitas daquelas histórias acontecendo in loco. Eram leitores, amigos e testemunhas, vamos colocar dessa forma.

Mesmo conforme desconhecidos iam encontrando minha página no ig (afinal não tinha tantos outros blogs assim), havia uma troca maior em termos de “ciber relacionamento”, e grupos que se liam eram formados diariamente. Dava-se pitaco em quase tudo, e quem discordava era de maneira muito civilizada – era uma relação virtual muito pessoal, tipo conversa de bar. Não fazia a mínima idéia de que anos depois os blogs seriam visitados por milhares de pessoas num único dia, e que essa possibilidade de aproximação acabaria se perdendo. Afinal não dá pra se relacionar com tanta gente ao mesmo tempo, mesmo que se queira.

Naquela época, blog pra mim era só uma forma de me divertir no tempo livre, um meio de tirar o estresse da sala de aula, de esquecer toda a maledicência adolescente com a qual eu convivia. Porque se eu achava que ser aluna pobre e nova em escola de riquinho era ruim, descobri mais tarde que ser professora pobre e nova em escola de riquinho podia ser tão ruim quanto. Ou pior. Porque não era só ouvir desaforo, era ouvir desaforo, não poder revidar, e ainda ficar presenciando desaforo contra outras crianças sem poder fazer muita coisa pra impedir isso.

Então a internet era lazer, era conhecer gente nova, trocar experiência com outros professores, era conhecer meus namoradinhos (naquela época 85% de quem usava essas plataformas sociais era nerd, não era nada parecido com o que é hoje), enfim, desopilar o fígado das horas em sala de aula.

Eis que o mundo dá voltas, e mesmo depois de ter abandonado minha profissão me vejo obrigada a conviver numa espécie de eterno recreio de segundo grau. Porque o que antes era minha válvula de escape se tornou trabalho, e pra quem se coloca nessa posição a verdade é que as coisas ficam muito parecidas com uma sala de aula.

Tem a patricinha mostrando as coisas bonitas que o pai comprou, tem a independente que corre atrás do que quer, tem a sensível que se envolve demais em tudo, tem a empreendedora que estuda muito e a gente sabe que vai longe, tem a mandona que quer sempre pegar a liderança em todos os trabalhos, tem a super cool que se dá bem com todo mundo, tem a que se reúne em grupo pra estudar, tem a que se reúne em grupo pra falar mal das outras, tem a que não quer crescer e age como menininha, tem a abelha rainha, tem a madura que age como mãezona, tem a fofoqueira que espalha histórias só pra ver o circo pegando fogo, tem a estudiosa que se mantém fora de tudo isso, tem a machona que ameaça bater em todo mundo que não der o lanche pra ela, tem a que se faz amiga da machona pra ficar na sombra e comer de graça quando ela for cobrar o lanche, tem a que viaja o mundo todo, tem a que viaja o mundo todo com a mochila nas costas, tem a que não precisa se preocupar com as mensalidades da escola, tem a que se preocupa, tem a que acha que não devia estar ali, tem a piadista que não leva nada muito a sério, tem a que gosta de aparecer mais que todo mundo, tem a que se esconde no fundo da sala pra não aparecer, tem a perua que tá sempre maquiada, tem a fashionista, tem a que se apaixona por alguém diferente todo dia, tem a baderneira que só quer se divertir, tem a baderneira que só quer tocar o terror, tem as BFF’s que se tornam melhores amigas pra sempre, tem as BFF’s que se tornam melhores amigas pra sempre até que uma rouba o namorado da outra, tem a que ganha um dinheirinho vendendo coisas no vestiário, tem a que vive aprontando mas quando alguém vai tirar satisfações começa a chorar e se faz de vítima, tem a que não consegue socializar, tem a que não consegue guardar segredos, tem a que guarda seus segredos muito bem, tem aquela que todo mundo gosta, tem aquela da qual todo mundo se aproxima por interesse, tem a que não aprende com os próprios erros, tem a que é perseguida, tem a que persegue, tem a que toma a defesa de quem está sofrendo perseguição, tem a que toma conta da vida de todo mundo, tem a que é artista, tem a que sabe de tudo, tem a sabe-tudo, tem a que cola nas matérias, tem a preocupada com o corpo, tem a preocupada com o meio ambiente, tem a que leva os bichinhos de rua pra casa, tem a super dramática que eleva tudo à teatro, tem a mais bonita da classe, tem a que morre de inveja da mais bonita da classe e faz de tudo pra convencer os outros a não gostarem dela, tem a defensora de todas as causas, tem a que tem proteção dos professores, tem a que só quer se divertir, tem a que sabe que precisa estar ali pra progredir depois na vida, tem a que só observa tudo e não fala nada, e por aí vai.

E nessa profusão de estereótipos que muitas vezes se cruzam, é como diz a personagem da Emily Blunt no filme O clube de leitura de Jane Austen: high school is never over*. A gente sai da escola, mas a escola não sai da gente. E todo mundo acha que está sempre certo – inclusive nós mesmas!

Pior é que se já não temos muito controle sobre o estereotipo onde nos encaixam na vida offline, imaginem na online. Aqui é uma verdadeira terra de marlboro. Fica vivo quem atira primeiro, e o sobrevivente vai ser sempre mocinho – mesmo que esteja bandido na história, é o que tá abrindo a boca pra falar, certo? E mesmo na prisão todo mundo é inocente, sempre.

Pra mim, que não sou santa mas que já saí da escola há mais tempo do que muita blogueira tem de idade, e que abdiquei da minha profissão por cansaço de ver que as coisas não mudam, tem dias que podem ser bem difíceis nesse mundinho internético onde todo mundo se conhece só de nome. Chegando perto dos 40 anos, é revoltante perceber como a gente amadurece pouco. Como damos continuidade (às vezes mesmo sem perceber) àquela crueldade que é a vida na escola.

Eu mesma já me peguei em momentos destemperados, querendo mandar pessoas pra lugares que vocês nem imaginam que possam existir, interpretando mal ou dando margem pra má interpretação, me defendendo de coisas sem importância e me calando em momentos que devia falar. É muito difícil conviver em sociedade, se entender, entender os outros e se entender bem com os outros. Não importa a idade na carteira.

Mas quando a gente consegue olhar de fora um pouquinho, percebe que geralmente existe uma entrelinha por trás de cada discurso. Às vezes não é nada demais, às vezes é onde está a pegadinha. E é aí que a gente aprende que ninguém é perfeito, que todo mundo erra (inclusive a gente), e que toda história tem dois lados, que todo mundo é mocinho E bandido, não importando o que se verbalize. O adulto admite isso, a criança bate o pé até que o outro desista e diga “vai ser do seu jeito”.

Se já é difícil se entender com pai, mãe, irmã e irmão da gente, pessoas que se conhecem desde sempre e que se amam apesar de tudo e qualquer coisa, imaginem quando o problema é virtual. É entre pessoas que se conhecem superficialmente, mesmo que achem que não. Afinal, na internet cada um diz o que quiser. Quem vai se dar ao trabalho de desviar da própria vida pra provar o contrário?

Seja nas relações reais, seja nas virtuais, a verdade é que no fundo ninguém se conhece. Todo mundo é capaz de ser mocinho um dia e bandido no outro, e é muito ingênuo quem não assume ou não se dá conta disso. Mesmo quem vivencia ou testemunha está sujeito a interpretar o que viu, então não se pode ter certeza de absolutamente na-da.

Esse texto pode parecer meio torto pra quem não tiver dados que permitam ler nas entrelinhas, mas o que quero dizer realmente é que todo mundo precisa de terapia, de alongamento, de cursos de aperfeiçoamento, de aulas de auto controle, de desabafar, de voltar atrás e pedir desculpas, de assumir que errou, de se explicar, de falar o que pensa e de ouvir o que não quer. TODO MUNDO, incluindo eu e você. Não é só sempre o outro.

Leio coisas absurdas todo dia, acusações, frustrações, comparações, cobranças, como se a pessoa que escreve um blog tivesse a obrigação de deixar de ser gente e se tornar um ser perfeito, robótico, acima do bem e do mal. É um julgamento quase diário no qual não se oferece o direito de defesa – porque nem tudo chega aos ouvidos de quem tá com o nome na boca do sapo, e mesmo que chegue às vezes a gente tá cansada de tentar ir contra o que não se pode controlar.

Quem assume certezas se coloca numa posição divina que não cabe a nenhuma de nós. Vamos amadurecer e entender que blog não é a vida de ninguém. Pode ser um meio de trabalho, mas não é código decifrador de personalidade.

Pontos fracos, todo mundo tem. O que se faz com o conhecimento dos pontos fracos dos outros é o que diferencia um adulto e uma criança. Pelo menos num mundo ideal.

Imagem: cena da campanha do comercial do perfume Ange ou Démon, da Givenchy, com a atriz Uma Thurman.

*é só fazer um goggle nessa frase que vocês vão ver que sou fã da citação.



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02/02
2012
Como arrumar sua mesa
Categoria(s) Off-Topic
Ana Farias

Gosto muito da forma divertida que o Caio Braz encontrou de satirizar essa coisa totalmente fora de proporção que é o mundo das it girls, com a personagem Tarsila Mari-nhooo. Apesar de tirar um sarro com essa fama fabricada, ele faz isso com um super bom humor, e o resultado é muito engraçado.

Ontem morri de dar risada revendo esse vídeo da Tarsi, fashion blogger e über girl. Nele a gente aprende como arrumar a mesa pra receber a visita das amigas, com estilo mas sem ostentação, que é pra não causar inveja… hahaha



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11/01
2012
O que rolou no primeiro dia de Fashion Rio
Categoria(s) #causos, Evento, Promos, Unhas
Ana Farias

Ontem foi meio corrido e acabou não dando pra publicar os posts que tinha rascunhado (ainda ficamos sem internet no final do dia!). Eu fazia uma ideia de como tudo é  numa semana de moda, mas o vai pra cá e vai pra lá que experimentei ontem… olha, novo respeito por todos os envolvidos. E eu nem fiz muita coisa, hein, imaginem quem tem mil pra fazer ao mesmo tempo!

Mas então, fui convidada pra fazer a cobertura com O Boticário, e apesar da canseira amei o primeiro dia por lá.

Estamos em três blogueiras, a lindinha Cris Guerra (que é uma das pessoas mais engraçadas que já conheci), eu, e a chiquerésima Silvia Braz (que consegue andar muito muito rápido em cima de um salto agulha).

No resumão, aquelas coisas que só acontecem comigo: fiz unha pela manhã, e fui pra lá com meu oxford furadinho, com salto dentro da bolsa porque sou uma pessoa muito esperta. De noite coloquei o salto pra fazer umas fotos e o vídeo diário da TV O Boticário, e  quando voltei pra sala correndo pra finalizar um post, olhei pra baixo e…

Cadê a beleza, cadê a dignidade, cadê o esmalte que tava aí?

Mas o pior mesmo é que desconfio que quando tirei umas fotos estava com batom vermelho nos dentes. Gente. É muito Murphy, fala sério? Ninguém merece.

Pelo menos tirando um pequeno e imperceptível acidente, a mão segurou firme e forte sem lascar. Yesssss!

Tava preocupada com as comidinhas que iam servir pra gente, mas fiquei feliz de ver que não tinha nada que eu estivesse proibida e que constituísse tentação grave (ou infração grave) na minha dieta por uma vesícula melhor… rs Não vou colocar foto dos tapas não porque aí seria tentação pra vocês. ;)

A gravação do vídeo foi hilária! Não escondo de ninguém que sou uma adulta extremamente tímida, né. E tudo que tá fora da minha zona de conforto é dolorido de fazer. Vídeo, por exemplo. Mas com todo esse processo de mudança que tenho falado pra vocês, fui pra lá decidida a me divertir, por pior que fosse. Então quando eles forem ao ar vocês vão ver o terror nos meus olhos (hahaha), mas pelo menos levo em consideração que fui lá, e fiz sem sofrimento! rs

A gente tava gravando o de ontem, quando olhamos pra trás e quem tava lá? O Torquatto! Acabamos invadindo o grupo dele pra gravar umas perguntinhas. E eu, que era aquela com branco total, que quando chegava a vez de pegar o microfone percebia que as outras duas já tinham falado tudo que tinha sido combinado oralmente, e que não conseguia pensar em mais nada pra dizer, tive que roubar uma pergunta com a produtora (isso depois de ter levado uma LISTA de casa, caso tivesse a oportunidade de entrevistá-lo!). E no final deu tudo certo, foi tudo lindo, ele foi um fofo, e me deu um abraço tão apertado que eu até me emocionei.

E pra terminar porque tenho que correr pro Pier agora, no desfile da Patachou tava um burburinho de fotógrafos tirando foto de três meninas, e todo mundo perto de mim tava tentando entender quem eram (famosas quem). E eu não entendendo por que em nome dedeols ninguém tava tirando foto do vocalista do Kings of Leon, até que percebi que ele não era o Caleb Followill, era um fotógrafo também.

E antes que eu me esqueça, as ganhadoras dos dois pares de convites pro Fashion Rio, que devem entrar em contato mega rápido comigo (se não receber notícias até de noite, vou ter que refazer o sorteio, tá?):

Dando tudo certo a gente se vê lá!

E até daqui a pouco, hoje tem mais!



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