Pensei um bocado se deveria escrever este post, mas penso assim, esse aqui é o espaço que tenho pra me colocar no mundo publicamente, digamos assim. E tudo bem discutir sobre qualquer coisa, contanto que se respeite opiniões adversas – o que pra muitos é difícil quando se trata de futebol, religião, e… política.
Sempre senti uma estranheza quando artistas, por exemplo, se envolviam em campanhas de candidatos a cargos públicos, porque achava assim que era um pouco de abuso de utilização de imagem. Mas vamos combinar que me causava muito mais estranheza quem ia contra minha ideologia partidária.
Por exemplo, peguei um abuso sem tamanho de Regina Duarte e seu discurso televisionado ridículo na campanha presidencial de 2002. Pode ser que sua fama de namoradinha do Brasil tenha conseguido manipular um bocado de gente (digo isso porque foi uma estratégia baixa!), mas no final das contas tudo o que se conseguiu foi sujar a imagem da atriz, que virou piada nacional. Enfim, nada contra ela ter o direito de achar que o candidato dela era o melhor. Mas quem decidiu usar sua reputação pra incutir medo da oposição deu foi um belo tiro no pé.

E é por isso que odeio políticos com toda a minha força vital, gente. Eles fazem da política uma máquina sanguessuga, suja, interesseira, incompetente, inconsequente, irresponsável, que perverte ou expulsa quem não se afilia a ela. E não tô falando apenas no nosso cenário, não, é um problema geral, é uma questão filosófica. De uma maneira geral, poder corrompe.
Depois de me envolver com movimentos e discussões políticas na época da faculdade, e de ver com meus próprios olhos que até a liderança estudantil já começa torta (logo os jovens, gente, os que têm energia suficiente pra mudar o mundo), sinceramente deixei de lado. Comecei a votar em quem eu imaginava que seria menos pior, sem esperar nada de bom em troca. Votava na legenda do partido que, na minha opinião, causava menos estrago pro povo.
Mas não é necessário ser uma pessoa engajada pra saber que essa é a atitude que alimenta a tal máquina: a desistência das boas intenções. Então, assim como falo de potencial de batom, shampoo, creme, decidi que é importante usar esse espaço pra discutir ideias, pra falar de potencial humano também. E política entra nessa gift bag.
Por acaso, é justamente numa eleição da qual não poderei participar que encontrei dois candidatos que considerei visionários/honestos/empreendedores o suficiente pra fazerem alguma diferença. Não vou expor números, fazer campanha, enfim, minha intenção não é dizer VOTE, mas fazer um convite pra que vocês pesquisem sobre eles, e sobre outros que como eles se vêem como servidores públicos, não funcionários apenas (essa foi a definição do sanitarista carioca Oscar Berro, mas vou deixá-lo pra outro post porque o que aprendi com ele é de utilidade pública também).
Outro é o Fabrício Tampa, pela primeira vez candidato a vereador aqui em Niterói, e pessoa que eu conheço socialmente. Outro dia li uma atualização no perfil do Facebook dele, um desabafo informal pros amigos na realidade, mas pedi pra reproduzir aqui, pra que vocês façam uma ideia (se ainda não fazem) da dimensão da desonestidade que envolve o sistema de votação nesse país:
“Não basta ter uma boa ideia, ou bons projetos. A verdade é que fiquei muito triste quando cheguei em uma comunidade, obviamente eu não vou citar qual, tampouco o nome das pessoas, mas eu fui lá, apresentar um projeto de horta comunitária, um projeto bacana, pois é de fácil implementação, com baixo custo, e onde toda a comunidade aproveita os benefícios de uma horta, visto que a horta é auto-sustentável, obviamente produz uma alimentação saudável, como benefícios ajuda a conscientizar a comunidade sobre trabalho em conjunto, reciclar o lixo, preservar o meio ambiente. É um projeto sensacional, que vem dando certo em várias comunidades (ex. São João de Meriti); e que ainda pode ser ampliado com uma granja comunitária.
Enfim, falei sobre o projeto, algumas pessoas gostaram da ideia, mas na minha ingenuidade, só isso não bastava. Me ofereceram uma proposta para fechar com a comunidade, e ir lá no dia da votação fazer a famosa “boca de urna”, com um precinho camarada de 60 reais por voto. Obviamente fui embora, porque a minha intenção era voltar periodicamente na comunidade, e não de quatro em quatro anos.
Acredito que todos já ouviram falar sobre a boca de urna, eu também já tinha ouvido falar, mas foi a primeira vez que eu vivenciei, e confesso que me assustou mais do que eu imaginava. Fico imaginando o que certos candidatos fazem para se eleger; e o pior, o que fazem depois de eleitos.
O vereador tem um papel importante, mas desconhecido da grande população; é um custo que, pelo visto, pode ser muito maior e mais caro para a cidade do que apenas o seu salário. Afinal, quem paga a campanha? É triste ver que ainda se faz política dessa forma, com dinheiro (e muito), com favores e o diabo a quatro.
Sinceramente, não sou um oportunista, vim como candidato, mas jamais gostaria de me eleger desta forma. Me dá uma tranquilidade enorme saber que eu não tenho ninguém pagando as minhas contas, não sou de família política, tampouco tenho algum empresário atrás de mim.
Também moro na cidade, há 35 anos, e vejo Niterói abandonada na última década. Também passo de uma a duas horas no trânsito, também fico com receio da violência na cidade. Me perturba ver esse crescimento desorganizado, com prédios e mais prédios para todos os lados, praticamente uma ilha, e sem saber onde vamos parar. Não gosto de ver a ausência do poder público que só pensa em ajudar os “moradores de rua” em vésperas de eleição (algo que jamais podem falar de mim, que eu sempre fiz trabalho voluntário e de caridade, por isso não estou de retórica ou me fazendo de bom moço).
Quanto às campanhas políticas, parece que há uma fórmula, receita de bolo, todo mundo igual, sorrindo, pose de um lado, número do outro, uma “ideologia” ou uma “bandeira” para defender. Desculpe, eu também cai nessa, e me sinto um pouco ridículo. Não gostaria hoje de estar na foto sorrindo, não vejo hoje motivos para sorrir, não com esse tipo de política e campanha que se faz. Agora entendo quando dizem que tudo parece um circo, um grande palco. E os palhaços, infelizmente, somos todos nós, não só os candidatos, mas também os eleitores que ainda não enxergam a política como essencial na vida de todos nós, como coisa séria.”
Por isso achei importante dividir o relato do Tampa com vocês, pra quem (como eu) andava tão desacreditada de políticos que deixou a ideologia pra lá. Ou pra quem não se interessa de forma alguma por eleições – pra muita gente inclusive ir votar é só a pedra no meio do caminho pra praia ou pro churrasco, né.
Não votem sem fazer um mínimo de pesquisa que seja sobre o candidato escolhido. Dividir ideologia com as pessoas importantes na nossa vida é uma coisa, mas votar em fulano porque pai, mãe, marido, filho, amiga, professor, enfim, porque uma dessas pessoas importantes vai votar também apenas, é uma preguiça que a gente não pode se dar ao luxo no cenário no qual nos encontramos.
Depois falo do Oscar, porque ele como sanitarista me deu uma pauta boa, que não foge do propósito do blog como esse post sobre a vergonha que é a politicagem praticada nesse país. Mas saindo ou não dos assuntos aos quais me dedico diariamente, acredito que é importante dar voz a isso fora dos ambientes onde se discute especificamente sobre política. Porque vou ser super sincera: não sei quanto a vocês, mas eu mesma nunca vou até lá.
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