Falei num dos últimos posts sobre como a gente precisa se libertar em relação a nossa autoimagem, e se permitir usar a moda a nosso favor sem se importar com o número da etiqueta que vestimos (viram?).
Acredito muito que é possível ter uma aparência que nos traga felicidade diante do espelho simplesmente pela prática do autoconhecimento: honestidade consigo mesma pra pontuar quais são os pontos fortes do corpo e quais são as áreas que ficam melhor quando cobertas, e autoconfiança pra experimentar diferentes tipos de roupa até entender o que cai bem, o que não cai bem mas você gosta de usar (e então achar a melhor forma de usar), e o que não fica legal de jeito nenhum (e o melhor é aceitar o fato e deixar de lado).
Vejam bem, odeio essas coisas de “pode x não pode”. Acho que se a gente se sente bem com uma roupa, e quer usar, por que não? E daí que outro estilo ou corte caiam melhor no corpo? Você não pode simplesmente ter acordado naquele dia sem se importar com parecer mais alta, ou mais magra, ou em disfarçar o tamanho do seu quadril? O que as outras pessoas podem ter a ver com isso, se a escolha é apenas sua?
Vou dar um exemplo pessoal: na minha opinião, o visual periguete é uma coisa horrorosa. Roupa super justa, muito decote, comprimentos mínimos, acho tudo isso junto cafona e deselegante, não importa se o corpo da menina é magro, gordo, malhado, se ela tem quinze ou quarenta e cinco anos – acho feio. Mas eu não vou na loja comprar roupa de periguete pra distribuir na rua. Quem comprou o fez porque gosta, e quem sou eu pra olhar torto e fazer tsc tsc? Até faço dentro da minha cabeça, mas meu direito de crítica tem que terminar aí, onde encontro o limite do direito da periguete. Tô errada? Daí que tenho uma amiga que se define periguete, mas que ao mesmo tempo é uma das mulheres mais elegantes que conheço. Acho que o segredo é que ela sabe dosar muito bem a alma trabalhada no periguetismo com peças sofisticadas, e o resultado é que está sempre SUPER bem vestida mesmo quando está mais exposta.
Ou seja, dá pra ter um estilo próprio que outras pessoas de repente nem curtam, mas que mesmo assim definem como agradável aos olhos. Assim como é possível usar bem algumas peças que teoricamente seriam proibidas pelo #povodasregras pro seu biótipo, já que cada corpo é um corpo.
Foi uma coisa que pensei quando encontrei quatro amigas blogueiras aqui do Rio, todas plus size lutando com os processos internos típicos de quem caiu no turbilhão do efeito sanfona. Mesmo insatisfeitas com o peso, estavam todas bem vestidas, e tirando vantagem de peças “que não deveriam ser parte” do dress code para gordinhas!

As fotos são de celular e a luz do local não era boa, mas não dá pra desperdiçar os looks! Na ordem, eu, Cláudia Speroto (Usei Contei), Monica Pinheiro (Beauty Drops), Dafne Dias (Elfinha) e Luciana Assai (Casa da Luluzinha).
A minha quebra de regra eu já mostrei (AQUI), e inclui tecido de poás e jaquetinha (?) de manga muito curta, o que dá uma sensação de aumento pros braços já muito gordinhos. Mas ei, eu gostei!

A Claudinha colocou cinto na região do quadril, afofando um pouco o vestido – o que acaba criando uma barriguinha. No meu corpo não funcionaria, mas no dela achei que funcionou (devia ter tirado uma foto de frente pra vocês verem melhor), criando uma saia sem adição de muito volume. Além disso, o decote do vestido e as mangas 3/4 alongaram bem o corpo.

A barreira que a Monica quebrou foi a da blusa clara justinha no corpo. A combinação com calça jeans escuro e bolero preto balanceou o look. E ela ainda colocou a blusa por cima da calça, o que aumenta o quadril e achata a silhueta de qualquer pessoa que não tenha dois quilômetros de perna… mas mesmo assim ficou super harmonioso nela! Amei!

A Elfinha desafiou a mesma regra que eu: mangas curtas em braços gordinhos. Mas o vestido tava tão lindo nela que isso ficou em segundo plano! Eu quis tanto esse vestido pra mim! rs Aliás, ela tem um trunfo pra quem é GG: compra muito nos EUA e na Asos, que tem uma linha especial pra quem é plus size, com roupas que qualquer mulher gostaria de usar.

A Lu quebrou a regra da estampa, com uma saia de desenho geométrico horizontal. Sim, o quadril pronunciado dela estava lá – e por acaso não estaria se o tecido fosse todo preto? Mas a blusinha pra dentro e a cintura alta dão ênfase pra parte mais fina do tronco dela, o que cria uma forma legal. Notem na foto menor que ela estava usando a blusa tava pra fora; eu que fui enxerida e perguntei se ela toparia usar pra dentro como um teste. Ao contrário do caso da Monica, que marcou a cintura de outra forma, ela ficou bem melhor assim!
Então vamos lá, meninas que acham que precisam se esconder por causa de vinte quilos (ou dois!), vamos desconstruir essa ideia de que só dá pra ficar bem vestida e/ou se sentir bem na própria pele se o corpo for de capa de revista!
Entre as plus size, tem um monte de mulher mostrando isso pela web:
. Paula Bastos, do Grandes Mulheres
. Ju Romano, do Entre Topetes e Vinis
. Camila Bolinha, do Meu Espelho Diz
. Stephanie Zwicky, do Le Blog de Big Beauty
. Tanesha Awasthi, do Girl With Curves
. Gabi Gregg, do Gabi Fresh
. Nadia Aboulhorn, do blog homônimo
. Judit Gergely, do Plus Size Life
. Taylor Luton, do Vintage Curvette
. Maxey Greene, do Let Your Heart Meet Mine
. Allison Teng, do Curvy Girl Chic
Vamos nos inspirar?