07/03
2013
Magra & Poderosa: a cultura da Skinny Bitch
Categoria(s) Dieta, Livros e Revistas
Ana Farias

Comprei o livro Magra & Poderosa por acaso, logo que comecei a fazer a dieta. Na hora achei que fosse só mais um livro bobinho de culto à magreza, mas o selo da capa, “1° lugar na lista do New York Times”, chamou minha atenção.

Qual não foi minha surpresa quando descobri que se tratava da tradução de Skinny Bitch - outro título infeliz, mas que pelo menos diz a que veio. Sim, era um livro de culto à magreza, escrito por duas americanas (uma ex-modelo e uma ex-agente de modelos, dã), que fez muito sucesso nos EUA. Tinha lido sobre ele em alguma revista de moda (acho que a Glamour), e a postura dele já na resenha tinha me cheirado mal, como mais um endeusamento à magreza – quem não é magra quer ser, quem é magra é invejada por quem não é, etc.

Como tava barato e eu tava curiosa pra ver até que ponto elas chegavam, comprei. Ficou na estante por meses, até que semana passada peguei pra ler. A leitura é bem fácil, rápida, e as informações muito interessantes. Fiquei chateada comigo de não ter lido muito antes, porque acabou sendo um gatilho pra eu repensar muita coisa sobre alimentação.

skinny bitch

A primeira impressão, pelo título e pela capa, é que vai ser um guia básico ensinando a passar fome pra ficar magérrima e poder zoar todas as outras que abusam dos carboidratos e dizem ser felizes assim – porque né, mentirosas, ninguém pode ser feliz se o manequim não for 36. E olha, a leitura mostra que é mais ou menos isso que as autoras pensam mesmo. Só que no meio dessa suposição irritante tem muita coisa sobre a qual todo mundo – gordos e magros – deveriam ler. Mãns… pra chegar à informação de fato, a gente tem que segurar a antipatia pela prepotência das autoras, que usam tudo que é expressão de deboche pra se referir a 1) pessoas acima do peso, e 2) pessoas que comem carne.

Pois é, elas são vegans. O problema é que são daquele tipo de vegan de discurso arrogante, que faz com que quem não é vegetariano acabe tomando birra de todo um movimento pró-alimentação orgânica e pró-meio ambiente que é absolutamente incrível. Lendo o livro, não dá pra deixar de concordar com 95% dos motivos que elas oferecem pra que o mundo se abstenha de carne, mas a forma como elas dizem dá revolta não apenas contra a indústria, mas contra elas também.

“Vaca gorda”, “estúpida”, “imbecil”, e até um “puta egoísta” – voadoras que sobram pra todas as gordas e/ou onívoras da face da Terra, como se todas as magras fossem vegans, e o fato de você continuar gorda seja resultado não apenas de uma alimentação não equilibrada, mas também de problemas de raciocínio e falta de inteligência. Porque pra elas aparentemente toda gorda só pode ser muito burra. Mas é só brincadeirinha, certo? Gordinhas, vamos levar com humor tudo isso. Ahãn.

Na verdade, pra mim ficou meio claro na leitura que cada uma das autoras escreveu uma parte do livro. Porque a diferença no discurso é impressionante: a primeira parte é um ataque sem fim a quem não é vegan, a segunda é bem mais light (acho que não li uma grosseria sequer). A não ser que tenham estruturado de uma forma que o bullying seja o processo de convencimento, e elas já partem do princípio que depois dali você é time vegan e pode ser tratada com mais respeito. E eu não consigo entender essa epidemia de falta de educação no mundo, que torna o ataque pessoal a coisa mais normal. Chamar alguém de puta egoísta porque come uma coisa que você acredita que ninguém deveria comer, isso é estrapolar um pouco, né não?

skinny bitch 1

Apesar de tudo isso (que eu precisava falar porque realmente me chocou como leitora), acredito ser um livro que todo mundo precisa ler de verdade, mesmo que como uma introdução ao tema alimentação. Toda a primeira parte dele é dedicada a desmitificar coisas nas quais a gente é forçada a acreditar (o tanto de perigo que colocamos pra dentro por causa de propaganda enganosa!), a dar uma ideia do nojo completo que envolve a indústria alimentícia (não consigo mais beber leite nem comer carne depois do que li), a mostrar o mal que os grandes criadores de animais fazem ao meio ambiente, e o quanto órgãos governamentais que deveriam se responsabilizar pela saúde do público em geral são corruptíveis. Enfim, não é nada que a gente já não desconfiasse/soubesse, mas tudo é colocado de forma sucinta e de uma maneira que não dá pra simplesmente dar às costas ao que se leu.

Por exemplo, a situação dos animais criados pra abate, as condições físicas dos abatedouros, as pessoas doentias que fazem as maiores maldades com os bichos que estão para serem sacrificados, tudo isso dá náusea e uma dor de saber que tudo podia ser diferente se não fosse pela ganância dos envolvidos no processo. Gosto de carne, e não tenho nenhuma intenção de me tornar vegan, nem ao menos vegetariana (não acredito que essa seja a única forma de alimentação saudável existente, e não sei onde começa a propaganda – como elas mesmas repetem incessantemente no livro, “não confie em ninguém”), mas imaginar que aquele naco maravilhoso que está no meu prato pode ter passado por situações de desespero, tortura, falta de higiene, alimentação contaminada e injeções de sei lá o quê… Bom, o dia que eu estiver numa boa fazenda, matarem um boi sem maltratá-lo antes, e me oferecerem um churrasco, esse será o momento no qual vou colocar carne na boca de novo.

Enfim, defendo ser um livro necessário, mas apenas pra pessoas capazes de fazer uma leitura crítica. Tem que se saber filtrar o que é informação de fato, o que é tentativa de doutrinar o leitor em prol da alimentação vegan, o que é puro exagero, o que é culto à magreza. No final fica a informação sobre o que o corpo precisa, sobre o que a gente deve buscar nas etiquetas dos produtos como elementos tóxicos que não devem ser consumidos de forma alguma, a lista de boas marcas orgânicas (tem uma seleção brasileira), e mais. Então é só deixar a implicância delas com as não-vegans de lado, e insistir na leitura dos capítulos. Você não vai se arrepender!

E se você achar que eu errei ao interpretar o livro como pró-magreza, seguinte: lá no final do livro, na última página, depois de metade das 188 páginas com ataques à inteligência dos gordos, tem um parágrafo, uma metadezinha de página, lá depois do posfácio e da lista de notas de referências científicas e de livros recomendados (ou seja, aquela parte que você acha que o livro já acabou), tem um “ei, amiga, peraê”. É lá, e não no início, onde o autor dá o tom do livro, que elas dizem ah, mas a gente não tá nem aí pra magreza, a gente quer que vocês sejam saudáveisBullshit, né? Depois de tudo o que vocês disseram, Rory Freedman e Kim Barnouin? Depois de louvores ao jejum, confiando que todas as desesperadas pra se tornarem skinny bitches vão ler isso e correr pro médico pra saberem se a saúde está ok antes de começar a viver de água e hortaliças? Que só é pra tomar café da manhã ou almoçar quando você tiver com muita muita MUITA fome?

Pois se até eu quando li que no café a gente deve comer apenas um pedaço de fruta (e só se ainda sentir necessidade, comer o restante dela, ou outra fruta) senti que encontrei a luz! Pra quem sofre pra se alimentar pela manhã, esse é o mantra que eu precisava na vida, certo? Bom, errado. Médicos, coisa que elas não são!, dizem que a primeira alimentação do dia é a mais importante por um bom motivo. Errada estou eu, se acreditar no que estou lendo só porque quero.

skinny bitch 2

Finalmente, acho que o título do livro (e a tradução pra português) não tem nada a ver com o livro em si, mas com certeza ajudou nas vendas (e isso é o que importa, né?). É chamativo, causa curiosidade mesmo que com um pouco de repulsa, e com ele criou-se uma marca – já escreveram sobre a cozinha da skinny bitch, sobre a skinny bitch grávida, um site, DVDs de exercícios…

Com certeza, agora elas têm bastante dinheiro pra poder pagar pela comida orgânica de todo dia. E pra manter esse tipo de alimentação mais saudável só com muito dinheiro mesmo. Disso sim, eu tenho inveja! rs



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16/02
2013
Crônicas da Surdez… em livro!
Categoria(s) Livros e Revistas
Ana Farias

E a felicidade que eu fiquei quando soube que a Paula Pfeifer transformou seu blog Crônicas da Surdez em livro?

Pra quem ainda não sabe, a Paulinha – que conheci faz muuuuito tempo, nos primórdios do Trendy, pelo blog Sweetest Person, e que até companheira de viagem minha já foi - é deficiente auditiva. Coisa que eu não imaginava no início, porque ela pouco falava sobre, e quando a gente conversa com ela pessoalmente não é óbvio at all… Ela escuta com ajuda de aparelhos, se comunica oralmente, fala outras línguas. Como ela diz, “convivo com a surdez, mas não vivo em função dela”.

Acompanhei de pertinho o nascimento do Crônicas, onde ela divide histórias e capta depoimentos emocionantes Brasil afora. E digo pra vocês que ela é um exemplo de coragem, não deixa a surdez diminuir em nada a sua independência. Se formou em Ciências Sociais, trabalha muito, viaja pra caramba. É prova de que uma deficiência não é impedimento pra se levar uma vida produtiva.

CAPALIVRO

O Crônicas mostra que a surdez não é homogênea – assim como nada mais o é nessa vida. Existem maneiras e maneiras de ser, assim como vários graus de surdez, e de maneiras de se comunicar também (ela, por exemplo, é surda oralizada: escuta por aparelho, se comunica oralmente, e não utiliza a língua de sinais). Palavras da Paulinha: “Foi com a criação desse canal que me dei conta da quantidade de pessoas que têm vivenciado a surdez presas numa bolha de solidão e falta de conhecimento”.

Ela trata de temas como preconceito, tecnologia, mercado de trabalho e até de bullying, e nos faz refletir sobre o cotidiano dos deficientes auditivos, e sobre como todos nós possuímos essa incrível capacidade de adaptação e de superação.

Não é porque é minha amiga não, mas pra mim significa leitura obrigatória. Seja pra quem compartilha a mesma dificuldade, seja pra quem se relaciona com surdos, seja pra qualquer um capaz de se conectar com o outro e se identificar com o que é conviver diariamente com uma dificuldade da qual não se pode tirar férias.

Um beijo grande pra minha querida gaúcha, e que ela consiga inspirar cada vez mais gente pelo caminho. Bom, isso é sucesso, não é? ;)

Crônicas da surdez
Autora: Paula Pfeifer
Editora: Plexus Editora
Preço: R$ 39,90 (e-book: R$ 27,90)



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06/07
2012
Algumas dicas de compras
Categoria(s) Acessórios, Achados, Banho, Compras, Compras Online, Livros e Revistas
Ana Farias

Algumas dicas que eu achei bem interessantes, meninas:

A Elle esse ano tá fazendo uns especiais sobre alguns estilistas, e em quatro edições vem um brinde lindo: um lenço com estampa do estilista em questão. Sei que vai ser algo, né, monte de mulher por aí com o mesmo lenço! rs Mas a qualidade é boa, e eu não podia deixar de passar a dica pra vocês. A revista está custando inacreditáveis 14 reais (acho um absurdo, sério, tem revista importada que depois do imposto chega aqui mais barata – sem falar na quantidade de publicidade em cada edição), mas o mimo vale a compra.

Fui no Boticário ontem só pra comprar esse trio de sabonetes da linha Terapias Argiloterapia (falei de vários produtos AQUI). Gente, não dá pra explicar, pena que não dá pra mandar o cheiro pra vocês pelo monitor! O pacote vem plastificado, e mesmo assim a gente encosta o nariz e vem aquela fragrância super forte, uma delícia! Já usei e super indico: o trio custa 23 reais, esse sabonete vem com essas impressões que massageiam super gostoso, não tem quem não vá amar. Único detalhe: ele é esfoliante, então dá aquela sensação de “polir” delicadamente a pele. Não é nada que chegue a incomodar, mas quem for mais sensível pode de repente não gostar (coisa que cá entre nós duvido!).

Comprei esses cintos numa promo da Asos. Todos eles custaram menos de cinco dólares, o que pra qualidade é uma balela, sério. São daqueles que a gente compra em loja de marca aqui por 40, 50, 60 reais, ou mais! O único problema foi a demora: como já disse pra vocês, eu costumava receber os pacotes da Asos em 10 dias, agora tão demorando muito mais (esses chegaram em pouco menos de dois meses). Eu não me importo de esperar, mas pra quem tem pressa não é mais uma boa. Lembrando que muita gente vem sendo taxada nas compras do site, então é bom considerar que existe a possibilidade de se pagar quase o dobro do valor da compra no final. AQUI tem uma seleção de cintos fofos e super baratos. Só uma dica: os cinto são bem compridos, viu. O large dá perfeitamente pra quem veste 46, talvez até 48.

Pra terminar, uma compra que eu não ia fazer, mas não resisti. Essas anabelas de ponta arredondada estão super na moda, né? Outro dia quase comprei uma na Leader por 50 reais, mas pensei bem e achei que a qualidade dela não tava excepcional, ou seja, ia usar algumas vezes e ela ia acabar ficando feia. Daí que ontem fui buscar meu sneaker de salto na Arezzo (depois faço um post porque acho que vale), e vi que a loja tava em promoção. Achei esse modelo que eu tava atrás, de 180 ele tava saindo por 100. Qualidade muito superior à da outra marca que eu ia comprar, ficou lindo no pé, fiz uma enquete no twitter porque tava em dúvida entre o vermelho e o verde, esse saiu vencedor! rs (foto do verde AQUI)

Ele só tá com a forma grandinha, então comprei o meu número mesmo, 37 (costumo comprar 38 porque meu pé é largo, daí uso algum tipo de palmilha pra compensar a sobra). Comprei na Arezzo do Itaipu Multicenter, e lá ainda tem o famoso sneaker (tanto o preto quanto o colorido – que é o mais lindo de todos que já vi até agora).

Com isso, gente, só me resta repetir o conselho que a gente tá cansada de ouvir: esperem pra comprar nas liquidas. Os preços estão abusivos demais, e eles só fazem isso porque a gente vai lá e compra, né? Se não for modelo mega badalado que você queira muito, deixe pra depois, e se tiver de ser será! ;)

Só pra acabar: vi uma menina experimentando esse modelo AQUI e fiquei enlouquecida! Uma das sandálias mais lindas que já vi!



34 comentários
11/06
2012
Black & White… and Pink!
Categoria(s) #Inspirações, Livros e Revistas, Moda
Ana Farias

Lembram que eu tinha achado periguetchinha fraquinha a primeira edição da Glamour no quesito comportamento, né?

Acabei não comprando a segunda. Só que durante o Fashion Rio tinha um monte dando sopa no lounge da Vogue, então peguei uma e voltei pra casa lendo. Gostei bem mais. E resolvi comprar a desse mês. Por enquanto a intenção é virar freguesa… rs

É que a parte de moda e beleza realmente me pegou, e ainda que eu não curta muito o modelo moderninha liberada de ser (não é por puritanismo não, gente, é só que muitas vezes acho que tem mais coisa interessante pra se falar mesmo) pelo menos aquelas matérias no estilo bitch is beautiful eu não vi mais (que era o que eu tinha implicado mesmo, se é que vocês se lembram das pérolas dessa matéria AQUI).

Mas tô só dando um feedback pra quem leu aqueles dois primeiros posts, porque afinal de contas a primeira impressão foi bem ruim (como eu tinha dito, pra mim o que define o público de uma revista é a parte de comportamento). Porque a intenção do post é falar dessa belezura de capa com combinação preto + branco + pink que eu AMO demais!

Black & White & Pink

A capa foi uma reedição da francesa com a Heidi Klum que saiu no ano passado – apesar de serem idênticas eu sinceramente gostei mais do resultado da brasileira com a atriz Cláudia Abreu.

Calça colorida tem muito essa vibe Restart que a gente que não gosta do grupo tende a ter implicância, mas eu sempre identifico com o lado divertido dos anos 80, sabem, o colorido legal. E não precisa ser skinny, não precisa ser brim, não precisa nem ser calça, o que eu amo mesmo é essa combinação de cores.

É ou não é muito amor?



10 comentários
14/04
2012
Você é uma B.I.T.C.H?
Categoria(s) Comportamento, Livros e Revistas
Ana Farias

Bem disse a Bia Maia, em seu ótimo comentário no post sobre a revista Glamour, que certas revistas causam “um desserviço à autoestima feminina”. E acrescento: ao comportamento e relacionamento com os outros também.

Prova disso são essas matérias ensinando como ser esperta com os homens, com dicas que quem coloca em prática certamente o faz na vida como um todo, e não apenas no cenário amoroso. Na própria Glamour teve essa que, embora super pequena, me chamou demais a atenção – de maneira extremamente negativa.

Sempre brinco que queria ter nascido americana, pra escrever um livro bosta qualquer de auto ajuda, com um pouco de sorte cair nas graças de uma editora com marketing forte, e ficar rica às custas de quem acredita que na vida existe receita de felicidade.

Vira e mexe alguma revista feminina sugere um livro desses, e a dica da Glamour parece receita de sucesso mesmo (não pra quem segue as regras, mas sim pra conta bancária de quem escreveu, claro): páginas que enaltecem o mau comportamento prometendo como prêmio… sim, claro. Um homem.

Que o mundo tá cheio de gente doida por uma desculpa pra agir como uma bitch, isso não é novidade. Que o mundo tá cheio de gente doida pra trazer o homem amado em sete dias, menos novidade ainda. Então taí, receita prontinha de venda.

Pra quem não comprou, a matéria da revista é a seguinte:

A boa é ser má*

Glamour descolou um livro de dicas “mara” para comprovar se o velho conselho do “pisa, que ele gama” dá certo de verdade (a gente acha que sim).

Seja como o pêssego: delicada por fora, mas com um caroço duro de roer. Conselhos como esse garantiram o sucesso do livro Why Men Love Bitches (Por que os homens amam as más) – já foram vendidas mais de um milhão de cópias. A autora, a americana Sherry Argow, propõe que o melhor meio de manter seu namoro, casamento ou rolo é incorporar uma bitch. Ela usa a nada elogiosa palavra da língua inglesa para descrever mulheres que conseguem tudo o que querem graças a uma boa maldadezinha. A seguir, dicas para pôr em prática tão logo você termine de ler esta edição da Glamour.

1. Não se desdobre pra agradar. Lembra aquele mandamento cristão de “amar o próximo como a você mesma”? Toda bitch faz o contrário: pratica o “ame a você mesma e seu próximo vai amá-la também!”

[Parênteses: Ser cristão pra quê, né gente boa? Bonzinho só se f***! Vamos criar o comportamento satânico das relações número 1: "quem importa é você, só você, e cuspa fogo em quem disser o contrário". Faça do seu jeito ou não faça. E crie um grupo só pra gente que põe isso em prática, e aí vamos ver como essa nova sociedade se entende. Quero ver quem vai amar quem nessa história.]

2. Jogue como nunca. Só diz que está cansada de joguinhos quem já está perdendo a partida. E, sim, como dizia o hit 80′s de Pat Benatar, love is a battlefield (o amor é um campo de batalha).

[Parênteses: Eu podia jurar que a música da Pat Benatar era sobre como dor de cotovelo não deve impedir que se continue buscando amor, e não incentivo pra coisa mais quinta série que existe em relacionamento: fazer joguinho. Mas se a Glamour acha que você deve jogar pra conquistar seu homem, então vai lá, jogue como nunca. O tempo todo, sem descanso, domingo ou feriado. Aja como se estivesse num reallity, atue sem parar toda vez que as câmeras estiverem rolando (ou seja, quando ele estiver por perto). Mas não pode cansar nem um minuto, hein, senão ele percebe e aí dá tudo errado.]

3. Não incorpore o “ele tem que me aceitar do jeito que sou!”. Please, né? Se quiser ser aceita, procure um grupo de apoio.

[Parênteses: Que dica mais confusa! É pra você agir como bitch mas não esperar que ele te aceite? A idéia não é justamente fazer com que ele te queira sendo bitch? Acho que esse tópico foi só uma desculpa pra ser bitch com quem frequenta grupo de apoio, hein!]

4. Faça corpo mole na hora certa. Você é multitarefas no trabalho. Beleza, parabéns, continue assim. Mas, com ele, vale a pena dar uma de “João sem braço”. O carro dele está na oficina e ele te pede para buscá-lo? Proponha de se encontrarem outro dia. Além de ser gelada no tom ideal, a resposta evita o risco de você se tornar o motorista oficial da relação.

[Parênteses: Porque o ideal é QUE o motorista seja ele, né amiga? Siga aí então o ensinamento satânico das relações número 2: "faça com ele em dobro tudo o que não gostaria que ele fizesse com você". Daí é só acender aquela vela pro coisa ruim e torcer muito pra ele pegar um ônibus pra voltar pra casa ao invés de ligar pra alguma mulher que tenha lido Defraudação Emocional e pedir carona. Porque o livro ensina o contrário, e também garante que dá certo.]

5. Disfarce suas intenções. É natural querer descobrir se ele terminou com a ex de um jeito amigável ou se os dois quase saíram no braço. Mas ele não precisa saber que você quer saber.

[Parênteses: Porque é sempre muito bom procurar saber que tipo de homem ele é - logo, como terminará com você se for o caso. Mas não pergunte, deixe pra descobrir com o tempo. É sempre melhor esperar até que você esteja envolvida emocionalmente. Além disso, quem nesse mundo não ama vídeo de gatinhos levando susto e pessoas dissimuladas?]

6. Não faça a terapeuta. Aliás, se surgir conversinha sobre “a falecida”, olhe para o relógio, boceje e puxe papo sobre a nova vitrine da sua loja favorita. Bancar a compreensiva e tentar entender a psique do carinha são missões para a analista dele.

[Parênteses: Homens e sua superexposição de sentimentos, afe! Ao invés de mudar de assunto disfarçadamente vá com tudo no personagem de menininha mimada e fútil. Ele nunca mais vai tentar ser sincero com você. Score!]

7. Reclame, mas sem exagero. Ele mudou pro canal de futebol quando o combinado era verem um filme? A gata fofinha vai achar supimpa, torcer com ele e ver algo positivo no programa de índio (Sindrome de Pollyana é uó!). A bitch bota a boca no trombone. E o bonitão sintoniza no canal que ela quer.

[Parênteses: Porque só assim pra fazer ela calar a boca, né não? Ao invés de sugerir uma outra opção na qual os dois estejam interessados - oi? casal? - faça ele assistir Gossip Girl com você. Ele vai esperar o final de semana com uma ansiedaaaade!]

Então tá combinado. Siga todas essas dicas e ele com certeza vai ficar com você mesmo. Não necessariamente por amor (bitch liga pra isso?), mas por medo de uma perda financeira muito grande, de que você leve os filhos de vocês pra outro estado, ou mesmo de que você mate a mãe dele. Então ele vai ficar do seu lado, e vai sair pras malandragens dele bem quietinho, que é pra você nunca perceber.

Agora vejamos, vocês concordam comigo que isso consegue ser mais sem noção do que aquela matéria da Nova ensinando a viajar pela primeira vez com o namorado?

Na real, não acredito que os homens prefiram as más. As pessoas de uma forma geral é que se cansam de quem está sempre se colocando em segundo lugar, isso sim. Se relacionar é aprender o tempo todo a equilibrar até onde firmar pé sem ser egoísta por um lado e até onde ceder sem ser compassiva demais por outro – seja numa relação amorosa, de amizade, de negócios, de família, etc.

Mas aí, como isso tudo é complicado demais (se não fosse tava todo mundo aí mega bem casado), bora seguir cartilha de autor de livro e editor de revista e facilitar bastante a nossa vida simplificando nosso comportamento: vamos ser princesas no sentido bíblico OU cachorras no sentido figurado. Nada de buscar equilíbrio!

É cada uma.

*Matéria da primeira edição da revista Glamour brasileira (copiada na íntegra e com comentários meus nos parênteses).



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