A Globo promoveu mais um encontro de blogueiras no Projac, dessa vez pra falar de caracterização e figurino com a equipe responsável pela novela Sangue Bom. O bate papo foi com o maquiador Fernando Torquatto, o colorista Kássio Lucas, a figurinista Helena Gastal, e a atriz Sophie Charlotte – que interpreta uma it girl na nova novela das sete.
Foi muito interessante ouvir um pouco sobre o trabalho por trás de uma novela, como é feita a pesquisa de estilo pra cada personagem, e sobre como muito é feito na base do vapt-vupt: se deu algum problema de noite e ele tem que estar resolvido na manhã do dia seguinte pra gravação, como faz? Mora no trabalho? Algo assim. Suei só de ouvir alguns exemplos do cotidiano frenético da equipe de figurino! rs
Vou tentar fazer um resumão com parte do que foi dito. Nunca anotei tanta coisa num evento, foi muito rico de informação! Espero que curtam. <3
Na conversa sobre caracterização, Torquatto disse que os recursos de moda são usados pra dar uma identidade aos personagens, já que as nuances da história e da personalidade de cada um deles são explicadas para o telespectador não apenas com as cenas, mas também pela forma como eles se apresentam fisicamente na trama. Por isso, a beleza e o figurino existem em função do texto, ou seja, o cabelo, a maquiagem e as roupas precisam traduzir o meio no qual os personagens transitam – e isso vale tanto pra meio social quanto pra bagagem pessoal que cada um carrega.
Anos atrás a caracterização em novelas era feita de maneira muito caricata. Reparem só nas reprises das novelas mais antigas: dá pra identificar só de olhar pros atores o traço mais marcante que define os personagens – o “moderninho”, o “romântico”, o “rebelde”, o “idealista”, etc. Como hoje em dia as referências de modernidade chegam muito mais rápido pro público, isso acaba exigindo mais astúcia do caracterizador.
É que, graças à internet principalmente, a moda agora é muito acelerada, e já faz parte do universo de quem assiste novela. A gente não tira mais como antes a moda da novela, ao ver o que a atriz está usando; agora a novela populariza principalmente as tendências que saem das ruas e das passarelas – e que acabam chegando pra gente de alguma outra forma. Por isso o trabalho de caracterização (que é feito muito tempo antes da novela começar a ser gravada) pede uma visão muito mais subjetiva e delicada. E com um olhar pro futuro, pro que vai ser fashion meses lá na frente, ou corre-se o risco de ficar ultrapassado.
A figurinista Helena Gastal falou sobre o processo de construção do figurino, que começa com a sinopse da novela em mãos. É daí que surgem as primeiras ideias, e a equipe parte pra pesquisa de referências externas pra criar um “ambiente” pra cada personagem, no qual cada um ganha uma paleta de cores. Esse trabalho é apresentado pra aprovação, e com o ok eles partem pras compras/empréstimos de roupas e acessórios. Ela contou que muitas vezes começam a vestir a Amora pelo sapato (Carrie Bradshaw feelings!).
Especificamente sobre a personagem, Torquatto contou que a dificuldade foi transformar a Sophie Charlotte, que é uma atriz que ficou marcada por papéis que exploravam uma beleza natural e brejeira, em uma personagem de beleza sofisticada. Por isso o cabelo curto, que é a essência dessa sofisticação fashion, imagem que melhor traduz o luxo desalinhado, o chique despojado. Nas palavras de Torquatto, “o chanel clássico voltou, mas com bossa” – e desfiado, ao invés de repicado como antes. Quanto a cor da atriz, a inspiração veio da personagem de Brooke Shields no filme Lagoa Azul, e o método definido pelo Kássio como Caramel Dream: as mechas carameladas no fundo castanho claro emolduram o rosto, deixando-o iluminado e sofisticado.
Na segunda parte do encontro, o Torquatto escolheu a Camila Viccari pra mostrar como é feita a maquiagem da Amora, que usa muito produto em creme, tons de marrom e bronze, cintilância. Ele contou que cada atriz tem um necessaire com os produtos de make de sua personagem, e que a Sophie faz sua própria maquiagem na novela – isso faz parte do universo da personagem também, que gosta de (e sabe) se maquiar.
A Sophie Charlotte completou dizendo uma coisa bem bacana: que é importante que a gente seja independente na hora de se arrumar. Isso significa se conhecer, saber se maquiar, se pentear. Mas que isso não pode virar uma ditadura! É pra ser divertido: “não é ter que fazer, é poder fazer, porque você tem essa autonomia”.
Uma coisa bacana que ela falou a respeito das meninas conhecidas como it girls é que elas não são necessariamente um modelo de perfeição. O grande barato nelas é o fato de se assumirem como são, e de trabalharem com o que tem, da melhor forma. E o fato de não terem medo de errar! Isso tem tudo a ver com o post de ontem, né?
Eles deram uma passada pela beleza de algumas das principais personagens femininas, mas pro post não ficar gigantesco vou deixar pra uma próxima.





































Meu nome é Ana Farias, sou professora de francês em Niterói, e hoje uma compradora muito mais inteligente graças ao que aprendi fazendo e lendo blogs. Meu bolso agradece!





