07/04
2016
5 questionamentos sobre saúde emocional
Categoria(s) #ConexãoCariocaBlogs, Comportamento
Ana Farias

Vocês sabiam que hoje é o Dia Mundial da Saúde? Pois é, um dia pra (se) conscientizar sobre o nosso maior bem. Então eu gostaria de saber: a quantas anda a preocupação de vocês com a saúde? Estão indo ao médico pra fazer exames de rotina? Se exercitando alguma coisa, fazendo escolhas mais saudáveis no dia a dia? Procurando se divertir e se estressar menos?

Esse é o tema do Conexão Carioca de hoje. O que estamos fazendo pela nossa saúde?

Eu estou saindo de um período emocional tenebroso, então preciso admitir que não estou essas coisas não. Abandonei minhas caminhadas diárias, chutei o balde na alimentação, matei meus últimos exames, me deixei afetar bastante por problemas pessoais, problemas criados por mim, problemas criados por outros, e até problemas que só existiam dentro da minha cabeça – essa que é a prisão do ansioso.

Achei que tivesse engordado muito, mas me pesei outro dia e vi – surpresa de verdade – que havia perdido três quilos. Ainda sete a mais do que na época em que estava tinindo de foco com exercícios e reeducação alimentar, mas pra uma sedentária que se entope de comida o dia inteiro… nada que eu esperasse.

Mas não quero falar sobre mim nesse post. Queria era propor alguns questionamentos pra gente, todos tendo como ponto de partida nossa saúde emocional. Aquelas coisas que a gente sabe, mas que permitimos que nos arranhe – às vezes até demais. Vamos colocar na balança:

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1. A FELICIDADE COMO LIFESTYLE

Essa coisa de vender lifestyle banalizou o conceito de felicidade e trouxe muita frustração pras pessoas normais – a gente aqui, que não faz dinheiro com a nossa imagem. Todo mundo com essa necessidade de se mostrar feliz o tempo todo, de esfregar felicidade na cara da gente. Existem períodos nos quais as coisas estão funcionando direitinho, coisas ótimas acontecendo, beleza, maravilha, fico feliz por mim, fico feliz por vocês. Mas a vida de ninguém é felicidade o tempo todo. Não podemos comprar os sorrisos cheios de dentes e as hashtags de gratidão, e na comparação decidir que nosso dia a dia é uma bosta. Proposta: vamos desconfiar da felicidade total, e aceitar que a rotina e as obrigações não pressupõem que estejamos felizes o tempo todo. A gente tem esse direito, inclusive.

2. A BRUTALIDADE DO FORÇA-FÉ-FOCO

Nem todo mundo quer ter um corpo trincado, e eu acho que só existem dois tipos de pessoa que não entendem isso: as que tem corpo trincado e as que querem ter corpo trincado. Aqui também entra a questão do lifestyle como fonte de renda: se ninguém acreditasse nisso, como esse mercado se manteria? Vamos respeitar nosso corpo, e principalmente VAMOS RESPEITAR O CORPO DOS OUTROS! Proposta: Se a tua vibe não é abrir mão de comer ou de sair ou do que quer que seja, não o faça, mas também não fique se culpando por isso. Encontre algo que goste no meio termo, vá ser feliz que o tempo passa rápido demais pra gente ficar se lamentando – a não ser que você goste de reclamar mesmo, então esquece o que eu disse.

3. O CAMINHO DO CORAÇÃO

O que mais vejo é gente dizendo que a gente precisa amar o que faz. Ame o que faz e você não trabalhará um dia. Gatas, pra quem não nasceu herdeira, a probabilidade maior na vida é que você não encontre vaga nessa empresa do trabalho-amor. Muito possivelmente terá que trabalhar no que não gosta pra pagar as contas, e sentir-se satisfeita se esse trabalho estiver pelo menos dentro de suas aptidões. Tem gente que consegue viver o sonho mesmo não tendo nascido em berço de ouro? Tem, claro que sim. Mas é igual aquela história de ser blogueira que não faz publi, vive de evento: se não tiver alguém bancando enquanto não dá certo, como a gente faz pra pagar as contas? Então é mais fácil sim mudar a vida em função de transformar hobby em trabalho, muito lindo na teoria e na prática – pra quem consegue. Só que nem todo mundo vai pisar na lua, nem beijar o Keanu Reeves, nem se manter sozinha de fazer o que gosta. Essa eu vou dizer de dentro da Matrix pra vocês: voltar pro ponto no qual as coisas estavam dando certo pode ser um parto que nem todo mundo pode se dar o luxo de pagar – com doula e piscina, e maquiador e lembrancinha pra quem visita. E por “ponto que estava dando certo” eu quero dizer dinheiro batendo na conta o suficiente pra se bancar. Proposta: antes de acreditar em guru e largar tudo, pense se na tua vida de adulto viver de sonho se encaixa. Se for mudar, planeje cada passo com calma, pensando sempre num plano B. No início, trabalhe em duas frentes, a que paga as contas e a que satisfaz o coração. Mas não dê ponto sem nó se não tiver certo o do aluguel, falou?

4. O COMPROMISSO COM O CORPO

Uma coisa boa que os anos me trouxeram: tranquilidade em relação a meu corpo. Nunca vou ser magérrima nem definidérrima, simplesmente porque o preço a se pagar por isso, no meu caso, seria bem maior do que estou disposta. Meu compromisso comigo é não engordar demais, porque não quero, e voltar lentamente ao manequim (mais ou menos) 38. Por que lentamente? Porque sempre que emagreço é rápido, e meu corpo acaba voltando pro peso no qual se sente confortável – mais ou menos o que tô agora. Então não adianta me cobrar pra ter resultados rápidos, pois o esforço que o corpo faz pra engordar de volta é mínimo se comparado ao que empenho pra emagrecer. E imagino que seja assim pra muita gente que está no caminho de perder peso. Proposta: emagrecer pensando em primeiro lugar na saúde, fazendo as escolhas certas na alimentação, e não se desesperar porque não emagrece the flash igual musa X – até porque musa X toma seca-rato no doutor caveirinha e você prefere fingir que não sabe. Não seja a musa x, respeite o teu corpo.

5. A INDÚSTRIA DA BELEZA

Imaginem o que seria das empresas que vivem do culto à perfeição se a gente parasse de se importar com ele? Revistas, portais, estilistas, digital influencers? Se a gente, do nada, se olhasse no espelho, decidisse viver aquela realidade ali, mudando só pra agradar a sai mesma, e não todo o resto? Imagine all the people. Proposta: pare de imaginar e dê uma banana pros estereótipos nos quais querem te encaixar. Só.

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Luciana Vilela no Mulher Sem Photoshop
Patricia Meireles no Fuxico de Mulher
Dafne Dias do Elfinha
Tina Szabados do Make Coisa e Tal



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21/04
2015
Mudanças
Categoria(s) Comportamento
Ana Farias

PicMonkey Collage

Outro dia a Pri Matz comentou numa postagem minha na fanpage do blog que acha engraçado o fato de eu sempre dividir por lá imagens de looks básicos como inspiração, quando na verdade eu sou bem perua style. Isso me fez pensar. Afinal, o que faria uma pessoa com estilo X ficar sugerindo combinações tão diferentes do próprio gosto, ao invés de buscar imagens que a inspirem pessoalmente?

Minha amiga me conhece bem e é verdade, tenho um tantinho de extravagância no sangue. Abram meu armário e são pouquíssimas peças lisas pra escolher, até meus jeans geralmente tem algum tchuns (tie dye, zíper, estampinha, pata de elefante, etc). Mas, depois do que a Pri falou, comecei a entender que tô mudando um pouco meu estilo sem perceber.

Dei uma olhada nas últimas peças que comprei, e apenas uma é estampada: uma calça da Riachuelo linda que tá um pouco apertada depois que engordei, então acabei não estreando ainda. O resto é tudo liso, e ou é preto, ou é branco, ou é, em sua grande maioria, em algum tom de cinza ou de bege. Vivi muitos anos no Agostinho Carrara Style, misturando tudo que podia – por motivos de: a) eu gostava, e b) eu era obrigada (afinal quase todas as minhas peças eram estampadas mesmo). E agora tô debandando pra um estilo mais clean, acho.

Não sei se vocês vão concordar comigo olhando as duas fotos acima. Afinal tem Versace for poor people (Riachuelo) numa, e misturinha de animal print na outra (onça na écharpe e zebra na sandália). Mas meio que tô me achando discreta em ambas? rs

Se agora meu guarda-roupa começar a ficar mais básico, será a segunda mudança pela qual passo. A primeira foi dos vinte pros trinta: nos vinte, usava basicamente preto, e achava estampa uma coisa impensável; nos trinta, me libertei dessa amarra besta e pirei com todas as padronagens do mundo. Acho que faz mais do que sentido, já que dia 27 agora completo 42 anos, que seja hora de uma nova mudança drástica no armário.

Que bom que a gente passa por fases diferentes na vida, né? Por isso que sempre digo pra todo mundo que comenta coisas como “não uso tal peça porque me engorda/sou baixinha/não me favorece/acho demais pra mim”: deixa de bobeira, deixa de bobagem. Roupa é uma coisa que não mata ninguém, então não vai fazer a menor diferença pro mundo a tua escolha do dia. Se você não gosta é uma coisa, mas se acha que não vai ficar bem, se permita e decida só depois. Não curtiu, só não repetir, pronto. Não fique atrelada a regras de uso, e perca o medo de cores. Daqui a uns anos você vai experimentar algo, gostar, e ver que perdeu tempo sendo moderada.

Mas enfim, gatas. Se eu agora passar a me vestir de bege mesmo, já que só tenho enxergado bege na frente, fico imaginando qual será minha versão 50 anos. Porque, pela lógica, vai ser algo oposto, né? Tô meio que apostando no gótico suave, pois tenho certeza de que terei cabelo roxo algum dia. Vamos ver… 😉

Ps: esse macacão tá grande em mim, e tô meio na dúvida se vale a pena apertar, já que tenho dez quilos pela frente pra emagrecer. Separei muita roupa pra repassar, e a maioria nunca foi usada. Se vocês vestirem e/ou conhecerem alguém que vista 46-48: vou fazer um desapego online com preços bem em conta, só pra não deixar energia parada por aqui. Quem tiver interesse, como acha melhor? Que eu mostre as peças na fanpage, fazendo um álbum pro bazar, ou distribuir em posts no blog mesmo? Tô mais inclinada a fazer na fanpage, então se houver interesse não deixem de passar por lá a partir da semana que vem. Vou deixar só passar esses feriados e meu niver, pra organizar tudo direitinho.



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03/03
2015
Como dizer a alguém que é preciso emagrecer?
Categoria(s) Comportamento
Ana Farias

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Minha opinião? Você não precisa dizer nada. Quem está acima do peso sabe que está acima do peso. Ponto. Quem está obeso então, ô, não tem espelho que disfarce essa realidade. Na verdade, não é preciso ninguém de fora pra dar esse toque amigo, não. Sim, o assunto é delicado. Justamente por isso é necessário um tipo de abordagem que vai muito além do “gordura não é saudável” pra se lidar com ele.

Pra início de conversa, nunca se pergunte como é possível alguém não perceber que engordou, porque isso realmente é impossível não se notar. Todo mundo tem pelo menos um espelho em casa, e, ainda que não tenha um grande o suficiente pra se ver de corpo inteiro, não anda pelado o tempo todo, logo vai entender o que está acontecendo pelas roupas que ficam mais apertadas no corpo. Se disser que não notou, está apenas se enganando.

Não tem como não perceber uma diferença de três a cinco quilos na balança. Então, se a pessoa quiser fazer algo a respeito, vai tomar uma atitude ali, quando perceber que está ficando sem ter o que vestir. Se decidir não tomar atitude nenhuma, ela SABE que terá que passar para um manequim maior, e isso é prova irrefutável de que engordou. Então, pode se tranquilizar a respeito; a pessoa simplesmente sabe.

Ela pode escolher não se incomodar com o ganho de peso, e isso por uma série de questões. Ou pode ser que se incomode e não queira lidar com isso naquele momento, também por outra série de questões. Você pode dar uma ajudinha pra que ela se incomode? Claro. Mas antes vamos considerar alguns pontos?

Primeiro, de quantos quilos estamos falando? Porque, acredite, tem gente que não quer ser magra, ou que não acha bonito barriga com gominho. Sua amiga gordelícia pode estar se amando mais do que nunca, despreocupada com as neuras que possuía quando estava mais magra. Então, não se incomode tanto com isso. Aceite, aprenda a conviver com diferenças de pensamento e de gosto, e a diferenciar quilos extras de obesidade.

Segundo, gordura pode ser sinônimo de muita coisa nessa vida, desde gula e acomodação a vida corrida e estresse, até problemas de saúde e depressão. Se você não está a par do que se passa, acha de verdade, além da própria vaidade, que é de alguma ajuda chegar em alguém e dizer “migs, você ficaria melhor se emagrecesse”?

A não ser que você chegue pra pessoa perguntando casualmente “está tudo bem com você?”, e esteja realmente preparado pra sentar e ouvir de verdade os problemas que podem sair daquela boca, então não fale nada, porque você não está interessado de verdade. É possível que esteja apenas patrulhando em nome da saúde, ainda que negue qualquer outro sentimento mesquinho que te aproxime de algum tipo de preconceito.

Nunca diga “você está gordo, emagreça!” na lata. E isso não deve ser preocupação exclusiva de quem esteja interessado em dar o “toque” levando em consideração os sentimentos do engordante. Não deve ser um cuidado extra, deve ser o cuidado em si! Quem não tem vergonha de chegar pra alguém e dizer que essa pessoa deveria emagrecer, sinto muito, mas deveria criar alguma.

De forma nenhuma acredite que você está fazendo um favor dizendo pra alguém emagrecer, porque, ainda que ninguém seja feito de açúcar, é sempre uma merda ouvir isso. E, se achar que tem entrada pra conversar sobre o assunto, faça o favor de esquecer a cara de choque em casa. “O que aconteceu com você? Você era tão bonita! Por favor, emagreça, pense em sua saúde”. É difícil até entender onde alguém pode enxergar ajuda nesse tipo de abordagem.

Você engordou, emagreceu, e hoje, depois de emagrecer, acha que alguém deveria ter falado alguma coisa pra te ajudar a tomar uma atitude? Primeiro, cada um com seu cada um: não é porque você acha isso que outras pessoas devam achar também. Segundo: você emagreceu quando decidiu emagrecer, e é assim que geralmente funciona pra todo mundo. O movimento começa sempre a partir de si mesmo, não importa o que (e o quanto) quem está de fora tenha a dizer. Então vamos usar de muita calma ao lidar com os problemas dos outros.

Notou que a pessoa está engordando?

1) Se a pessoa é próxima, apenas crie opções de programas saudáveis com ela. Não chegue num restaurante pedindo brownie com calda de chocolate, sorvete de baunilha e chantilly, e espere que ela pule a sobremesa. Diga que precisa de companhia pra fazer algum exercício físico. Leve pra almoçar num local especializado em opções light. De repente a pessoa se interessa e emagrece sozinha, sem precisar de ninguém cuidando disso por ela. Se ela não se interessar, sinto muito dizer: ela não quer sua opinião/ajuda. Pelo menos naquele momento! Mas não precisa desistir, apenas não seja insistente a ponto de ser chato e acabar piorando a situação.

2) Se a pessoa não é próxima, duas possibilidades de comportamento: se ela nunca tocar no assunto com você, não é problema seu, simples assim. O que você pensa sobre o corpo e a saúde dela é problema exclusivamente seu, não dela. Agora, se a pessoa, mesmo sem muita intimidade, sentir vontade de desabafar com você (dando o primeiro passo, obviamente), aí sim, ofereça as opções do parágrafo acima.

Mas entenda: se ninguém pediu sua opinião, então sua opinião de não será bem vinda. Pode até ser que a pessoa leve na boa, te agradeça pela preocupação, mas existe uma chance maior dela se magoar ou de você ouvir um “cuide de sua própria vida”. Ser supersincero não vale esse risco. Melhor sempre é comer esse mingau como qualquer outro: pelas beiradas.

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06/02
2015
Sobre opinião, gordos e felicidade
Categoria(s) #Mudança de Hábitos, Comportamento
Ana Farias

Opinião, essa coisa que todo mundo tem sobre tudo, ainda que não compartilhe. Mas não vamos confundir opinião com verdades absolutas!

Quando a gente expõe o que pensa, diz o que acredita ser uma verdade. Ok. Mas existe uma questão de postura na hora de interagir: quem entende que sua opinião seja apenas uma no meio de muitas não vai nunca se posicionar menosprezando quem pensa diferente.

Vamos ver alguns exemplos em diferentes níveis de gravidade:

Nível leve: Uma coisa é eu subir nas minhas tamancas e gritar aqui pra vocês OREO É O MELHOR BISCOITO DO MUNDO, outra é eu dizer isso e completar que tenho pena de quem prefere Negresco. Mas, ainda que eu diga isso, é uma afirmação tão ridícula que ninguém em sã consciência vai levar a sério. E, me conhecendo, vão no máximo me mandar à merda (acompanhando o palavrão de muitos risos), caso gostem de Negresco.

Nível médio: Uma coisa é eu dizer que acho que a mulher de salto fica com uma postura mais chique, outra bem diferente é dizer que sem salto não me encontro enquanto pessoa e logo após completar que ninguém fica bem vestida de sapatilha (alo-ou, Audrey Hepburn manda beijo no ombro). Se digo isso vão rir da importância que dou pra minha opinião, e retrucar que o que não falta no mundo é exemplo de finesse na rasteira e de vulgaridade em cima do salto.

Nível alto: Uma coisa é eu dizer que me sentia infeliz quando estava muito acima do peso, outra é eu afirmar que todo gordo é necessariamente infeliz e que quem diz ser feliz está mentindo, porque é impossível ser feliz sendo gordo. Se mando uma dessas, por favor, me mandem pra Ilha das Opiniões Que Não Importam, e me deixem lá até eu perceber que não tenho o poder de ler corações alheios, nem fui eleita porta-voz de todos os gordos do mundo. E que eu tenha paciência pra enxurrada de críticas que vou receber, porque ainda que ninguém se importe com meu gosto por Oreos e poucos parem o que estão fazendo pra me dizer que estou sendo esnobe em relação a sapatos, muitos farão questão de desconstruir minha gordofobia.

Como não sofro de nada disso (apesar de achar, sim, Oreo mais gostoso do que Negresco), gostaria de saber onde está escrito que todo gordo é infeliz por ser gordo, e todo magro é feliz por ser magro. E quem estiver pensando em comentar com um “mas é uma questão de saúde”, aproveite e me diga onde é esse site no qual os médicos publicam dados sobre a saúde de todas as pessoas do mundo, comprovando por A + B que todo magro tá de boas com ela, enquanto todo gordo é necessariamente doente.

E que bobagem atrelar a ideia de perfeição física à felicidade, como se felicidade fosse um estado absoluto! Tem uma fala da Charlotte no primeiro S&TC mais ou menos assim: “não me sinto feliz o tempo todo, mas me sinto feliz todos os dias”. E isso, embora possa parecer difícil pra algumas cabeças, acontece com todo mundo, por N motivos – independente da pessoa ser/estar/se sentir magra ou gorda, rica ou pobre, feia ou bonita.

A todas as pessoas do mundo, gordos, magros, gordos em processo de emagrecimento, magros preocupados em engordar: libertem-se de suas amarras com o físico ideal/perfeito de acordo com o mundo da moda e das empresas que lucram em cima dessa piração toda. Emagreçam sem fazer loucuras, não se descabelem por engordar dois quilos. O que é realmente prejudicial pra nossa saúde e autoestima não é a gordura, é esse pavor que se construiu em torno dela.

BR-AS010WWAK8OXBR-1Imagem: Westwing

E não deixem acabar o dia sem ler esse texto mara da Polly, no blog Lugar de MulherPor que gordas felizes despertam tanto ódio?

E se não leu, leiam meu texto mais curtido de todos os tempos, já que tocou na ferida de gente que lucra e muito com a necessidade alheia de ser feliz apenas se for “seca e definida”: Voz (levemente) contra o movimento fitness. Na época eu estava mais gorda do que agora, e muita gente achou que fosse #recalque, mas mantenho basicamente tudo o que disse.



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23/01
2015
O que ninguém me contou sobre pós-cirúrgico
Categoria(s) Comportamento, Off-Topic
Ana Farias

Vou falar da operação de novo, tá gente. Não pretendo virar samba de uma nota só, mas é que além de ter sido um acontecimento marcante, que dividiu meu 2014 e rendeu umas mudanças físicas e emocionais por aqui, também é algo que ainda permeia meu dia a dia.

Achei que a partir do momento em que operasse (gente que tá chegando, não fiz bariátrica, foi retirada de vesícula), pronto, meus problemas acabariam. Não passaria mais mal, poderia comer o que quisesse, e a única coisa entre minha boca e duzentos quilos de chocolate seria o fato de que não quero engordar tudo o que emagreci – mesmo desejando ardentemente meter minha boca em duzentos quilos de chocolate.

Mas tinha mais coisa no pós-cirúrgico, coisaS aliás. Coisas que nunca me falaram antes, e que quero dividir com possíveis desavisadas que venham a ler meu post.

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Todo mundo me alertou pros efeitos colaterais da ingestão de gordura, que pra alguns significa ter medo, ter muito medo. Quem não operou a vesícula não sabe o que é ter dor de barriga. Não sabe, apenas não sabe. Eu tive uma, na terceira semana após a cirurgia, e digo que se você não operou vesícula, não sabe o que é dor de barriga. É algo que dói, e é algo que urge. Ou você está perto de um banheiro, ou está. Tempo pra chegar até um, isso não existe!

Mas isso foi tudo que me disseram, o único alerta. Ninguém falou sobre os outros problemas que decorrem de uma operação. Eu imagino que o motivo seja porque essas coisas de repente sejam coisas óbvias pra maioria das pessoas, mas, como dizia minha mãe sempre que eu queria algo que todo mundo tinha e eu não podia ter, eu não sou a maioria das pessoas. Se você também não faz ideia, esse post é pra você:

SETE COISAS

A primeira coisa a saber é que os dias após a cirurgia não são de Deus. Como contei no post sobre a operação (AQUI), senti muita muita muita muita muita dor. Dor pra levantar, dor pra deitar, dor pra respirar, dor pra dormir, dor pra acordar, dor pra falar, dor pra tomar banho, dor pra piscar, eu só chorava chorava chorava nos primeiros dez dias (no primeiro dia, achei que estivesse morrendo).

A segunda é que você não pode tossir nem espirrar nos primeiros dez dias, sob o risco de abrir os pontos. Boa sorte com isso.

A terceira é que a gente não pode pegar sol de seis meses a um ano, por causa das cicatrizes. São dois cortezinhos mínimos na lateral da barriga, e um maior (mas ainda assim pequeno) abaixo dos seios – quando a cirurgia é feita por laparoscopia. Claro que não achava que a gente poderia torrar no sol sem filtro solar, mas achei que esse prazo fosse bem menor. No início eu tava toda cabreira pra não manchar a pele, dois meses depois tava na piscina junto com a galera toda. Passo protetor, fico na sombra, mas sinceramente tá calor demais pra me preocupar com uns tracinhos mais escuros na barriga. Até gosto deles, pra ser sincera.

A quarta é que o umbigo, que é por onde entra a sonda, fica: dolorido, inchado, endurecido, totalmente diferente do que era, e pelo ponto sai uma coisa que dá muito medo em quem não conhece – seroma (uma água de salsicha que vaza, vaza, vaza. Na primeira vez que vazou eu nunca tinha visto antes e achei que meus pontos tinham explodido; mais uma vez chorei muito). Ah, e que mesmo depois que tudo passa e fica lindo (= sem dor) de novo, o umbigo ainda dói de vez em quando. Acho que o meu vai me permitir saber quando as estações vão virar durante algum tempo. No momento ele me diz quando vai chover. Essas coisas.

A quinta é que: VOCÊ. NÃO. PODE. FAZER. SEXO. POR. TRÊS. MESES. [pausa pra respiração voltar ao normal]. Ok, gente, não é nada tão grave assim. Já passei muito mais tempo (MUITO MAIS) do que isso sem beijar na boca e abraçar pelada. É chato, vai, mas totalmente viável. Mas não quando se está num relacionamento. Não, não mesmo. Muito menos quando se está no início de um namoro. O médico apenas ri da sua desgraça e diz que o risco é que o corpo desenvolva uma hérnia, e que você tenha que passar por outra cirurgia. Dá medo, não vou negar. Também não vou confessar durante quanto tempo segurei a periquita, mas direi que assumi rapidamente o risco. Seja o que Deus quiser. Ah, o prazo de três meses vale pra qualquer atividade física que não seja caminhada…

A sexta é que a pele fica um horror! Quando estava no hospital passei sete dias só no soro, e emagreci muito (foram cinco quilos em duas semanas de internação). Então meu rosto tava bem abatido, pele ligeiramente amarelada pela falta de sol, etc. Mas nos dias seguintes à volta pra casa… Je-sus! Minha pele virou uma lixa! Descascava toda nas maçãs do rosto, e ficou muito endurecida. Parei com todos os cremes, fiquei só no sabonete + água termal. Isso durou umas três semanas, até que a pele foi voltando ao normal.

A sétima coisa é que, entre dois e três meses após a cirurgia, quando os pontos já sararam, dor é quase nenhuma, a pele tá viçosa (até por causa do sexo que você fez mesmo contra indicação médica), você já come chocolate sem medo, e até arrisca uma corridinha de um minutinho de vez em quando (segurando a barriga, como se isso fosse fazer diferença – só faz os outros pensarem que você está voltando pra casa com dor de barriga!), bem, quando a vida voltou basicamente ao normal… é aí que seu cabelo começa a cair! Cair muito, gente, cair descompensadamente. De dar medo de ficar careca. Aí você descobre que essa queda pode durar até seis-oito meses. Valeu, organismo!

Tudo isso eu não sabia, gente, mas peço um crédito. Nunca tinha operado antes, nem acompanhado ninguém que tivesse operado. Então foi quase tudo descoberta diária mesmo. Sabia que a barriga ficaria super inchada (tipo criança com verme), que não poderia usar nada marcando a região por um tempo (haja vestidinhos, queria saber como homem se vira!), que o pós seria desconfortável. Mas nada me preparou pra dor nem pra notícia dos três meses sem sexo – coisa que meu médico só fala depois, com certeza pro povo não desistir da cirurgia! hahaha

Então, sobre o cabelo: resolvi cortar curto pra não levar aquele susto toda vez que penteasse ou lavasse ou simplesmente  passasse a mão entre os fios. E marquei consulta pra ver se posso tomar alguma vitamina que diminua o problema. E estou rezando pra não desenvolver alopécia, que é uma possibilidade.

Perguntei lá na fanpage quem também tinha passado por isso, e recebi algumas dicas: tomar Centrum, Natele, Minoxidil, Pill Food, Pantogar,Exímia Fortalize, colágeno hidrolisado, Finasterida, e mais usar os shampoos Herbage Pontas da Herbarium, Dercos da Vichy, e Kerium da La Roche-Posay (amo!). Vou levar as sugestões pro médico e ver o que ele acha melhor pra mim.

Mas e vocês que já passaram por cirurgias, tiveram alguma surpresa dessas no pós? Me contem aí!



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