01/01
2014
Que seja um feliz 2014
Categoria(s) #causos, S.A.C.
Ana Farias

Oi, pessoas. Espero que tudo tenha sido ótimo nesse fim de ano, com festança, sem festança, não importa. Que tenha sido bom pra quem importa: vocês e as pessoas que vocês amam.

Queria me desculpar pelo abandono do blog nesses últimos dias. Não preparei nenhum material especial pras festas, não deixei nenhum texto com mensagem bonita programado, não deixei post nenhum programado, aliás. Apareceu a oportunidade de ficar longe do micro alguns dias, e aproveitei.

Eu tava sabendo há alguns dias que ir pra Minas estava nos planos da família, mas aconteceu TANTA coisa nos dias que antecederam a viagem que a gente tava muito num vamos não vamos, sabem como? De problemas de saúde a celular pifado, de carro dando problema a cachorro com crise de ansiedade (a Maca foi adotada já com alguma idade, e tem problemas emocionais que nem com muitos anos de cuidado conseguiu superar). Enfim, muitas emoções.

Com tudo isso minha lista super organizada de posts a fazer se manteve intocada, e de duas semanas de programação só ficaram os temas. Coisas da vida. Não que o desejo de desejar coisas boas não estivesse aqui – mesmo não aparecendo verbalmente…

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No entanto, me sinto compelida a ser ainda mais sincera. Voltei no domingo, dia 29, e a verdade é que já poderia ter retomado as funções por aqui. Mas não senti vontade.Nenhuma.

O que falar? Sobre o que escrever? Qualquer texto desejando uma maravilha de passagem de ano soaria extremamente clichê pras pontas dos meus dedos indicadores (sim, gatas, eu teclo catando milho com eles dois), pros meus olhos, pra minha cabeça, pro meu coração, enfim, pro meu espírito.

A grande verdade é que 2013 não foi um ano bom pra mim. Foi um longo ano repensando a vida, limpando as relações pessoais de energia ruim, de finalmente resolver lidar com o fato de que algumas coisas não estavam mais dando certo e que não dava mais pra protelar uma reação, e, acima de tudo, apesar de tudo o que aconteceu de bom também (que a gente não pode nunca deixar de reconhecer), a realidade é que 2013 vai ser sempre, pra mim, o ano em que perdi o meu Tum-Tum, meu amor canino.

Foram dezesseis anos de virada com meu gordinho, meu robô pretinho. E com tudo de maravilhoso que essa relação me trouxe ao longo desses anos, foi também responsável por um dos dias mais tristes da minha vida. Com certeza o mais difícil. Eu ainda quero muito escrever sobre isso, porque acredito de coração que o que tenho pra contar vai ser de valia pra muita gente que tem amor por algum animal. Escrever isso me soa errado, aliás. Pra mim Tum-Tum era parte da família, não era um cão.

Mas isso fica pra depois, quando o coração estiver calmo o suficiente pra deixar o texto traduzir aquele dia. Por enquanto só de escrever isso caí no choro, obviamente, e não é isso que eu queria estar fazendo (nem promovendo, desculpem qualquer coisa) no primeiro dia de ano. Respirei fundo, e já passou.

Me questionei um pouco sobre escrever este post, desta forma. Mas é o que tem pra hoje, e minha resolução máxima pra 2014 é encarar os problemas de frente, superar meus medos, ser absolutamente sincera comigo mesma, lidar com o que a vida colocar na minha frente da melhor forma possível. Pode parecer tudo óbvio nesse mundo que é pros fortes, mas ano passado só pensar em fazer tudo isso foi difícil, vou contar pra vocês. Claro, modo de falar.

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Enfim, você aí. Gostando de mim, não gostando de mim. Te desejo leveza. Te desejo força. Te desejo mais momentos felizes do que tristes. Que tenha cada vez mais consideração pelos outros, e paciência, e que tenham consideração e paciência com você também. Muita beleza em volta. Muito amor de quem merece o seu amor de volta. Energia boa indo e vindo. Sucesso, vigor, saúde, paz de espírito, retorno financeiro pra trabalho prazeroso.

Difícil ter tudo isso além das aparências, eu sei. Mas meu desejo pra vocês é sincero. Pra mim também.

Que 2014 seja um ano melhor, ou ainda melhor, pra todos nós.

Um beijo grande, e amanhã voltarei às atividades normalmente – aqui, na fanpage, no Instagram, e tudo mais.

ps: esse início de ano trouxe um novo objetivo em minha vida, e não sei bem onde o blog vai se encaixar, ou como. Mas parar de escrever eu não pretendo. ;)



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26/11
2013
Fim de ano, família, viagem…
Categoria(s) #causos, Viagem
Ana Farias

Minha mãe é mineira, e quando chega o fim do ano a história é sempre a mesma: tomar a decisão em grupo sobre o destino da família. Se o povo que tá em BH vem pro Rio, ou se o povo que tá no Rio vai pra BH.

Quando meus avós eram vivos a decisão era mais fácil, já que todo mundo se reunia por lá. Agora, com todos os primos já crescidos, e a maioria deles com filhos (tenho primo mais novo que eu a espera de neto!), enfim, ficou difícil polarizar a festa numa casa só.

Nos últimos anos, quem mora aqui tem se juntado na casa dos meus pais, e a correria é pra trazer parte da família mineira (e vocês talvez tenham noção do que seja arrumar lugar pra acomodar mais de 20 pessoas – incluindo mais crianças do que eu dou conta – numa casa onde moram três).  No entanto, parece que pro próximo Natal quem vai ter que se coçar é a gente: decidiram que a comilança será em terras mineiras. Acesso a doce de leite Viçosa? Yay.

Tenho mixed feelings a respeito de festas de fim de ano. Bate uma nostalgia, né? Uma saudade de tudo. Mas ao mesmo tempo é tão bom estar com quem a gente ama mais uma vez, rever amigos que por mais que a gente ame parece nunca encontrar tempo pra ver, e parentes que a vida afastou um pouco mas que continuam no nosso coração.

família

Então a dúvida que paira por aqui agora é: como viajar pra BH. Muita gente pra ir de carro (embora eu sinta muita saudade de nossas viagens na Variant laranja do meu pai, a verdade é que éramos todos pequenos o suficiente pra cabermos confortavelmente no carro. Desconfortável mesmo só meu pai, ouvindo “tá perto de chegar?” a cada dez minutos numa viagem de seis horas), poucos motoristas se habilitando a assumir o volante, vontade zero de ir de ônibus… então o jeito é ir de avião.

Eu e meu irmão fomos incumbidos de ficar de olho nas ofertas de passagens das companhias aéreas (achei passagem de ida pela Azul por R$66 pelo site Cupons Mágicos, agora tô procurando mais barato pra volta), e agora é torcer pra ter muita comida boa na casa da minha tia. Será que dá pra sonhar com arroz com pequi nessa época do ano?

E vocês, planejando viajar?



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06/11
2013
Resenha: Power Vit B6 Garnier Fructis
Categoria(s) #causos, Cabelos, Hidratação
Ana Farias

A Garnier Fructis lançou três ampolas de tratamento de choque pro cabelo: a Power Vit E (recarga de brilho pra cabelos normais a opacos), a Power Vit B3 (recarga de hidratação para cabelos mistos a oleosos), e a Power Vit B6 (recarga de nutrição para cabelos secos a muito secos).

Elas podem ser compradas separadamente por volta de R$5, ou em kits com três unidades, com preço sugerido de 12 reais. Um bom preço, né?

ampola garnier fructis

Principalmente se considerarmos que, dependendo do tipo do fio e do comprimento do cabelo, cada ampola pode ser reutilizada de uma a três vezes, ou mais até. Eu consigo usar umas três vezes essas de 15ml.

Recebi a B6 pra experimentar, e gostei bastante. Embora meu cabelo não seja exatamente seco. Ele é misto, ou seja, tem raiz oleosa e comprimento com tendência a ressecamento, o que tornaria mais interessante a Power Vit B3.

power vit b6 garnier fructis

A ação do creme é instantânea, e isso é o melhor de tudo, né? Não tem coisa mais chata do que ficar esperando no chuveiro enquanto produto faz efeito.

Outra coisa que gostei muito: a fragrância! Mistura de maracujá e coco, é uma delícia tropical! E o cheiro se mantém nos fios um bom tempo após o banho. Depois, mesmo perdendo a tropicalência, continua um cheiro bom.

power vit b6 garnier fructis resenha

Esse tipo de tampa é a melhor coisa que inventaram! Sempre acabava jogando ampola fora sem usar inteira. Agora é só fechar com o próprio bico.

Pra quem perguntou se ela é boa, tá aprovada. Meu cabelo ficou muito macio, e mesmo depois de secagem (e num dia extremamente úmido aqui no Rio) não rolou super frizz, e os fios ficaram sedosos do mesmo jeito até no dia seguinte.

O único problema de mostrar pra vocês é que… não vai ser bonito! rs Mas vou mostrar assim mesmo só pra dividir minha desgraça:

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Tava com o cabelo muito comprido pro meu gosto. Muito tempo sem cortar, cresceu com um mullet atrás, resultado do último repique. Sabe quando tudo o que você quer é se livrar de alguma coisa? Pois então, tava nervosa já.

Daí que um dia fui tingir com um cabeleireiro aqui do bairro, que é tipo um lugar que não tem bons salões, profissionais incríveis, e tal. Ele tava cortando uma franja na cliente que chegou antes de mim, e fiquei manjando. Gostei do resultado, então tomei coragem de cortar também.

Sentei na cadeira e pedi pra ele tirar apenas a parte de cabelo mais repicado atrás, nivelando um pouco mais o comprimento na altura dos ombros. Ainda dei como exemplo a secretina Vanessa Giácomo na novela das oito, porque achei que seria mais seguro dar um exemplo popular. Me certifiquei de que ele sabia de quem eu tava falando, e com a resposta positiva, peguei uma revista pra ler.

O que ele fez? Penteou meu cabelo todo pra cima, o que me deixou em pânico silencioso, porque em todos os anos nessa indústria vital sempre que um cabeleireiro faz isso e mete a tesoura a possibilidade de dar merda é de 4 pra 5. Claro que não fui o 1 que faz a margem de fracasso não ser total, né? Gente, se pentearem seu cabelo pra cima, CORRAM! Tirem a buzanfa da cadeira do(a) louco(a) o mais rápido que conseguirem, e corram sem olhar pra trás.

O resultado vocês já viram aí em cima, né? Onde isso lembra mesmo que remotamente o cabelo da Aline? E o pior, gente: minha manicure tava ali na minha frente. Ela tem o cabelo bem cacheadinho, mas num corte bem do jeito que eu queria – com a diferença que o meu não ficaria tão volumoso.

Cheguei pedindo pra ele tirar a parte mais afastada do repicado, que deixava uma ponta com a qual não estava conseguindo viver, e o cara me deixa com um mullet AINDA MAIOR. E pior: repicou o cabelo lá no altooooo, justo onde eu queria manter o comprimento! Que parte de “altura no ombro” esse moço não entendeu?

Claro que perdeu a cliente, não corto lá de novo mas nem que a vaca tussa. E só volto pra tingir porque ele fez um trabalho relativamente bom e cobra barato, senão nem isso.

Então é isso, lost in translation na minha própria língua. Acordei e que dia é hoje? Anos 80.

Como não sou de bobeira, tô entrando no clima e fingindo que é tendência. Nessas horas, só dando uma de poser pra manter o sorriso mesmo… rs



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18/10
2013
#FF: Lorenzo Liverani
Categoria(s) #causos, #FollowFriday, #Inspirações, Moda
Ana Farias

Sabem aqueles posts semanais que a Marina faz com colírios masculinos (colírios, gente, eu só me afundo nas gírias de vó)? O #FF de hoje vai pra um carinha que deveria ganhar todos os nossos votos: bonitão, charme pra dar e vender, super estiloso. Este é o italiano Lorenzo Liverani, do blog Your Mirror Style.

Descobri o guapo faz pouco tempo, mas passo HORAS fuçando os posts dele. O cara tem um bom gosto incrível, é raro uma look que eu olhe e pense nããããã. Na verdade ele tem um modo bem simples de se vestir: são sempre versões das mesmas peças, usando principalmente sobreposições pra looks mais sofisticados, e artifícios inesperados nos looks mais esportivos (estampas, echarpes, sapatos diferentes). O que dá o tchans é o olhar pessoal dele na hora de combinar tudo de forma casual e chique.

lorenzo liverani

Aliás, posso fazer parênteses de tia babona? Fui babá do meu sobrinho (6 anos) no final de semana passado, e fiquei brincando de bonecão, né, vesti ele tipo mini blogger pra gente sair. E sempre falava pra ele acrescentar algo “desconfortável” pra fazer um “look completo”: mochila de enfeite segurada só de um lado do ombro (“tia Paula, isso é muito difícil pra crianças, sabia?”), moletom do Batman amarrado na cintura, enfim, expliquei pra ele o que era um look, disse que ele tava muito gato (“é, eu sei, eu tô vendo ali no espelho”). Daí um dia a gente tava saindo de casa e tinha uns meninos mais velhos do que ele brincando. Ele foi se chegando, se apresentou, ficou puxando papo. Daqui a pouco só ouço ele falando “eu tô com um look completo”. O menino olhou pra ele confuso e disse “o que que é isso?” (deve ter achado que era doença). E meu sobrinho: “look é roupa”. kkkkk <3

Mas voltando pro gato Lorenzo, que quase me faz desejar ter vinte anos a menos (bom, isso e talvez ser um homem também – porque os italianos, especialmente os do norte, são beeeeem estilosos e vaidosos, independente de gostar de meninos ou de meninas). Separei alguns looks dele pra vocês mostrarem aí pros seus bofes (e também pra pelo menos um leitor homem que descobri que tenho por minha amiga Cla Guedes! rs). No Lorenzo eles podem se inspirar sem medo de levantar dúvidas a respeito de masculinidade (a próxima fronteira da indústria da moda é convencer os meninos que é ok usar rosa? Meu irmão usa e fica gaaaato…).

Dividi em quatro blocos de inspiração, os dois primeiros pensando no final de semana (despojado e casual), os dois seguintes em situações de trabalho (contemporâneo e clássico):

moda para homens - look despojado

Um mix de estampa aqui, um sapato colorido acolá, floral, cores intensas, tons pastel, e a marca registrada do moço: óculos escuros. Como não amar? Reparem na seleção de sapatos dele, acho tendência! ;) Como alguém pode ficar tão bem arrumado usando apenas três peças de roupa e óculos, gente?

moda para homens - look  casual

Aqui outros exemplos pra saídas, sendo que dependendo do trabalho dá pra usar também, né? E são combinações bacanas pra faculdade, caso o gato goste de ir mais arrumadinho, sem parecer um Maurício. Notem que sapato com meia é artigo raro com ele, mas eu sugeriria um bom desodorante aerosol antes, porque né, ninguém merece o perfume no final do dia.

moda para homens - look despretensioso

Agora uma casualidade mais arrumadinha, com ideias boas pra quem trabalha em ambientes informais. Imaginaram um arquiteto pra vocês? Sempre, né? Amei o casaco cinza da última foto – sendo opcional a gravata borboleta, viu? Isso é só pra quem segura. Detalhe pra invejar muito: a quantidade de óculos escuros que esse homem tem!

moda para homens - look  clássico

Pra terminar, looks mais formais, pra trabalhar ou pra compromissos especiais. Uma peça entre a camisa e o blazer, e vejam a diferença que faz!

Gostaram? Tem como não? E a carinha de pidão confiante no próprio taco que faz a gente fazer besteira em nove de cada dez encontros com boys magia do tipo? Aiaiai.

Pra seguir no Lookbook.nu, no Facebook e no Instagram.



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28/08
2013
Sobre um breve adeus
Categoria(s) #causos, Off-Topic
Ana Farias

Momento extremamente difícil. Me despeço aos poucos de um amigo que faz parte da minha família há pouco mais de 16 anos, e que leitoras mais antigas podem talvez se lembrar: o Tum-Tum, meu Cocker negão, meu gordinho, meu garoto maroto, meu robô pretinho. Não tá dando pra acreditar no que está acontecendo, e vou dizer pra vocês que poucas vezes senti tanta dor na minha vida.

Que tá pausada, aliás. Não vejo ninguém, não faço mais nada, se saio de casa é rápido. E é uma hora que eu só posso agradecer muito por ter a opção de estar em casa com ele, sendo a enfermeira que ele precisa. Monitoro a respiração, dou água, limpo, tento dar comida, viro de vez em quando o corpo agora tão magro que não tem força pra mexer sozinho, converso com ele, enfim, tudo ao meu alcance pra tentar diminuir ao máximo seu desconforto.

Tô exausta, em frangalhos, física e emocionalmente. Quase sem lágrimas já, de tanto que chorei. Desde sexta sem dormir, levantando preocupada a noite toda. Sem cabeça pra pensar nas tantas coisas que preciso dar conta – como posts pro blog, que andam mais escassos por causa disso.

Dante (esse é o nome real da “pessoa”) sempre distribuiu muito amor, e fico feliz que esteja sendo tratado por quem ama e o ama de volta. Não quis internar porque não resolveria muita coisa, e não queria que ele se sentisse abandonado. Hoje estou tentando decidir se interfiro no final dessa história. Não pelo peso que está significando pra mim, mas pelo que está representando pra ele. Não quero brincar de Deus, mas também não quero deixar meu amor se esvaindo, à míngua, com o corpinho preso aqui por essas questões que a gente não entende, com desconforto causado por anemia grave e infecção. Não é justo com ele. Se pelo menos essa decisão não fosse tão difícil pra mim…

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Mesmo tão debilitado e silencioso, meu pretinho continua me ensinando sobre amor incondicional. Tô aprendendo a ceder uma energia que eu sinceramente não tenho mais de onde tirar, mas que encontro por ele, que depende de mim pra tudo. Sobre solidariedade. E também sobre desapego, porque peço muito pra ele descansar, digo que vou sentir uma saudade sem fim, mas que logo mais a gente se vê. E que ele vai poder mandar um beijo meu pro Goró, pra Capitu, pro Snoopy, todos amiguinhos dele que já foram morar do outro lado. Tem carinho pra ele lá. No começo ele virava a cabeça, não me queria falando de despedida, com certeza. Mas agora parece que está começando a aceitar, o que talvez facilite a decisão que estou prestes a tomar. Por enquanto, estou na última tentativa de hidratá-lo, e isso é outra coisa que vou dizer que ele me ensinou: aprendi no susto a mexer com cateter, sou capaz de segurar uma agulha com firmeza e furar pele, se preciso for.

Enquanto isso, mil histórias passam pela minha cabeça, a maioria sobre as infinitas fofuras que fizeram dele o cachorro mais engraçado e gostoso do mundo. Pra ter tanta coisa legal pra se contar sobre um bichinho de estimação, a gente tem que se envolver muito no universo deles. Isso não é pra todo mundo. Tem quem não goste deles, ou que não goste tanto assim. E eu respeito. Acho que se não estiverem fazendo mal, não há maldade nisso. É traço de personalidade, não questão de caráter. Não tenho nada contra quem não adora animais, mas exijo a mesma compreensão de volta. Não ama? Respeite a devoção de quem ama, por favor. Ter bicho não é mesmo pra qualquer um. Tem quem se contente apenas em tê-los mesmo, no sentido de estarem presentes ali, mas não oferecem o carinho que também alimenta. Eu prefiro ter afinidade, uma participação mais ativa na vida deles, e vice versa.

Não sei quando (nem se) vou encontrar outro bichinho pra preencher o vazio que o Dante está deixando, no momento só tenho pra dizer que nunca mais quero bicho. Já tive vários, mas o negão é tipo meu “primeiro relacionamento canino maduro”; viveu meu dia a dia durante toda a minha vida adulta, dezesseis anos, isso é coisa pra caramba. E muito pouco tempo também. Eu queria que ele seguisse saudável, e virasse purpurina quando chegasse a minha hora. Mas né, irreal.

Não é o caso de ficar lembrando de coisa ruim agora que a gente só precisa de amor pra superar a perda inevitável. Mas tenho uma história que exemplifica, pra mim, o fato de que nem todo mundo nasceu pra passar por isso que estou passando – e que muitas de vocês já passaram, como soube lá na fanpage do blog quando precisei de um abraço por começar a pensar em eutanásia.

Um grande exemplo de falta de consideração eu tive quando recebi, no início do ano passado, uma pessoa que se dizia ultra amiga minha há muitos e muitos anos, e que não vinha aqui em casa fazia um bom tempo. Assim que viu o Dante (super bem fisicamente na época) chegando e fazendo festinha, gritou: “Mas esse cachorro ainda tá vivo?”. Fiquei olhando pra ela sem acreditar na falta de tato, de bondade, de humanidade mesmo. Fiquei magoada com o tom que era uma mistura de sarcasmo com repugnância. Tipo, como ele ousava estar vivo?

Não lembro o que disse na hora, mas deve ter sido um “cruzes” acompanhado de um “creio em deus pai” dentro da minha cabeça. Foquei no fato dela sempre ter dado mostras de pouco refinamento social e de muita falta de noção. Passou. Mais tarde, enquanto comia alguma coisa, ele chegou perto dela e ficou olhando, daquele jeito fofo que cachorro faz tentando descolar uma sobra. Ela o enxotou com um “sai!” grosseiro, e aí eu não me segurei, aproveitei a intimidade e disse “opa! Olha, a visita aqui é você, ele tá na casa dele. Não destrate meu cachorro, não”.

Grosseria minha? Só quem nunca vivenciou plenamente uma relação de amor com um animal pode achar que um bicho é apenas um bicho, e não demonstrar a consideração que eles merecem. Com os meus, exijo respeito. A gente humaniza eles? Sim, com certeza. Mas só porque eles dão espaço pra isso. Porque não há como deixar de apreciá-los pela inteligência que demonstram todo dia, pela devoção e carinho. Não humanizo cobra, por exemplo. Cobra nunca vai se comparar a um cachorro, que dá retorno de sentimento no olhar, que pede e oferece amor. Não se compara.

E aí chego no por que de estar falando dessa história hoje: ela virou pra mim e disse que queria arrumar um cachorro porque estava se sentindo muito sozinha. Respondi imediatamente “não faça isso”. Bicho a gente não arruma pra tapar buraco, pra ter de onde sugar energia. Pra receber amor a gente tem que estar disposta a dar amor de volta, e estava muito claro que não era o caso. Não é todo mundo que nasceu pra entender o sentido real de amizade, quer só receber, não é capaz de se doar, de abrir mão quando chega a vez. E se já é difícil estabelecer laços com gente, imagina com um animal. Quando chegasse a hora de cuidar além da água e comida, como seria?

Fato é que meses depois compreendi a fundo os sentimentos que ela nutria por mim, e foi aí que as palavras pro Tum-Tum ganharam uma força muito maior do que eu imaginava. Por uma série de motivos posteriores, posso afirmar que a amizade do Dante foi muito mais impactante na minha vida do que a dela. Sim, a amizade de um bicho pode ser muito mais importante e satisfatória do que a amizade com alguns seres humanos. Mas é preciso humildade pra conseguir entender isso. Viesse a saber o que acabei de dizer, ela com certeza se sentiria extremamente ofendida. “Como ela ousa me comparar com um cachorro?”, poderia ouvi-la reclamando. Bem, não é uma comparação com o animal em si que estou fazendo, mas sim em relação ao comprometimento, à lealdade, ao querer bem, tudo isso que uma amizade implica. Nesse caso, foi algo que sempre vivenciei com o Dante, muito pouco com ela.

Moral da história: cuido agora de um amigo que nunca me faltou, e é uma pena que a gente possa interferir na continuação de uma amizade que não nos acrescenta, mas não possua controle sobre uma que só teve coisa boa pra oferecer. O mundo é um lugar tão difícil. Saber identificar amizade quando ela existe de verdade, no entanto, pode torná-lo um pouco menos complicado. E, por todo amor e dedicação, só posso agradecer ao Dante, meu Tum-Tum querido, que foi amigo como poucas pessoas que conheci.

Por fim, que eu encontre força pra decidir forçar o adeus, que será só por um tempo (eu acredito), se ele não se decidir sozinho e em breve. Dói, mas é a maior prova de amor que posso oferecer pra ele no momento.



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