Então é isso, mais um ano acabando. E, sem entrar em detalhes pessoais, vou dizer pra vocês que esse ano fui algo. Tô triste dele estar indo embora não! rs
A única coisa que vou pedir hoje quando der meia noite é muita saúde pra todos os meus amigos que estão precisando, agradecer tudo o que veio de bom em 2011, e muita força pra não repetir padrões errados nos próximos 365 dias.
E que todas vocês tenham uma feliz virada, com muita champa e peru, e se possível beijo na boca!
Na vida virtual, tenho alguns pedidos também – bem menos realistas, mas ei, desejo é desejo.
Gostaria de passar 2012 sem ouvir…
… so last season!…
Nada mais fora de moda do que achar que a gente tem que andar na moda.
As pessoas mais estilosas não estão nem aí pro que a indústria da moda decide que é last season. Desejo que a gente entenda que não precisamos do que a editora da revista decidiu que é hot, nem jogar fora roupa nova que no sorteio das tendências virou not. Vamos pensar que se não for toda essa baboseira mensal, ninguém vende revista, ninguém vende coleção nova na loja.
Da mesma forma, que não nos deixemos levar por qualquer outra mídia que estabeleça padrões pro que a gente deve usar ou parar de usar. O que acontece é que no mesmo momento que a elite consumidora lançadora de tendências decide quais são as peças tem-que-ter, elas se tornam so last season – porque uma semana depois ocorre a “orkutização” da peça. A tendência só é hit enquanto não chega na fast fashion, na minha mão e na sua.
Então pra que querer acompanhar esse ragatanga, né gente. Me deixem ser feliz com minha calça saruel, porque ela não vai ficar apodrecendo no armário enquanto não decidem que o corte é hype de novo. Eu gosto dela, e me sinto bem vestindo; é isso que importa.
… dieta é estilo de vida…
Quando eu era mais nova, dieta era uma coisa que a gente fazia pra emagrecer. E embora chegar ao peso ideal não significasse sinal verde pra voltar a meter o pé na jaca, também não significava que a partir daquele momento a gente deveria estar de dieta pro resto da vida caso não quisesse engordar.
O que deve ser feito é uma reorganização de vida, entender que comida é combustível e não apenas prazer ou abraço. E o nome disso não é dieta, o nome disso é reeducação alimentar.
Todo mundo que emagrece com saúde alia refeições saudáveis e exercícios físicos. Quem vive de dieta está fazendo alguma coisa errada, e se você for observar de pertinho vai ver que dieta ela não está fazendo MESMO. Se você precisa manter uma rotina de fome pra caber no manequim 32, provavelmente seu manequim não deveria ser 32. E se você vive de dieta e não emagrece nunca, se não for nenhum problema é provável que não esteja levando a sério.
Desejo emagrecer em 2012 como projeto a médio prazo (não vou fazer loucura pra perder em um mês o que levei dez anos engordando). Mas porque meu estilo de vida começou a afetar minha saúde – não porque é modinha. Aliás, falando muito sério, essa moda size 0 é um absurdo, e é muita falta de responsabilidade quando uma pessoa magra usa um meio de comunicação pra fazer alarde de que está “gordinha” e precisa emagrecer. Vamos pensar em todas as meninas em processo de formação que podem se influenciar de maneira negativa por esse tipo de comportamento.
Vamos dar dicas de alimentação saudável, mas pregar dieta como estilo de vida é uma irresponsabilidade. E magra fazendo charminho dizendo que tá gorda é uma coisa ridícula, me desculpem. “Estou dois quilos acima do meu peso ideal” não é a mesma coisa que “tô uma baleia”. Vamos amadurecer, meu povo.
… queria ser igual a fulana…
Enquanto o luxo tava lá com as atrizes de Hollywood tudo bem, porque era algo tão distante da vida real que dava pra deixar o desejo sob controle. Mas agora com os blogs de pessoas financeiramente bem providas, a impressão que dá é que aquela vida está ali do nosso lado, tão ao alcance.
Viajar pra NY toda hora é uma realidade, só eu que não posso? Não gente, viajar pra NY é privilégio pra poucos, você que não pode não faz parte de uma minoria, mas sim da maioria absoluta.
É como uma amiga minha ensina todo dia pra filha que estuda em colégio de rico: “você não vai ser feliz querendo ser o que não é, nem querendo ter o que não pode”. Porque permitir que a falta de um bem material nos atinja a ponto de trazer frustração e sentimento de inferioridade é uma agressão que cometemos contra nós mesmas.
Por isso desejo que esse ano a gente leia blogs de socialites da mesma forma que folheamos uma revista Vogue: aquele luxo todo existe, mas não nos pertence. Se for importante, vamos trabalhar pra conquistar parte dele. Mas sem fazer com que a compra da it bag seja mais importante que a da casa própria.
… é só brincadeira, véi…
Viver em sociedade é aprender todo dia que existem limites – tem coisa mais insuportável do que criança sem limites? Pois é, e essas crianças crescem. Se tornam aqueles adultos sem papas na língua, que costumam dizer que têm “personalidade forte”, que são “verdadeiros”. Bom, eu me acho verdadeira e não tenho o costume de ofender ninguém, então pra mim isso é só um eufemismo pra falta de educação mesmo.
Acho que a gente tem que ser a gente sim, mas não acredito que cada um tenha o direito de fazer o que quer, porque existe uma fronteira aí. O que eu quero pode ser tomar um sorvete apesar de estar acima do peso, ou jogar meu cachorro na parede porque ele tá me irritando. Poder fazer eu posso, os dois.
Ontem li uma entrevista do Danilo Gentili dizendo que humor não deve ter limite. Como assim, Bial? Humoristas são seres privilegiados acima do bem e do mal? Tem limite sim, e é quando a graça vira perseguição. Usar a chatice do politicamento correto como argumento pra fazer humor que ataca pessoalmente quem não se gosta é covardia, nada além.
Já que a gente tem que conviver com isso, que pelo menos se entenda que aceitar a crítica maldosa é uma maldade também, mesmo que passiva. Porque é fácil visualizar a brincadeira quando não somos o objeto dela e não podemos mensurar o mal que ela faz (porque pimenta no olho dos outros é refresco). E pra quem acha que na brincadeira o brincalhão promove um “abrir de olhos”, cuidado que pra todo fanfarrão existe um grupo intocável – e mesmo que exista motivo, os erros e os ridículos destas pessoas nunca são expostos. Ou seja, ninguém é totalmente isento de interesses pessoais.
No fundo no fundo todo mundo é doido e cheio de falhas, inclusive quem escreve sobre as doideiras e falhas dos outros. Humorista de verdade pelo menos entende isso. O resto é tudo resultado de mágoa de cabocla.

















































