18/12
2014
[Receita]: Escondidinho de Batata Baroa com Recheio de Linguiça Calabresa
Categoria(s) #CozinhaSimplesdaAna, Comidinhas
Ana Farias

Olhem só como sou uma pessoa que cumpre o que promete. Disse no Instagram que daria a receita pra vocês na segunda, e tô dando só hoje. Tá muito complicado ser eu nesse momento, gente. Tô dando conta conta não. Preciso de equipe, e tô falando de vida pessoal mesmo. Alguém se identifica?

Bom, uma amiga me prometeu receita de escondidinho de baroa com funghi pra um jantar especial, e eu fiquei com isso na cabeça. Comprei a batata, mas nada de encontrar o funghi. O tempo passou, no dia D acabamos jantando fora, e lá fiquei eu com um quilo de batata baroa quase passando do ponto, e nada de achar funghi, nem de receber a receita da amiga. Aí resolvi me virar com o que tinha na geladeira mesmo, e usar a ideia do escondidinho num almoço.

Minha primeira escolha pra recheio seria camarão, mas tava congelado. Pensei em fazer uns cubinhos de mignon com molho à base de Guiness, mas não tava afim de sair de casa só pra caçar cerveja. Aí peguei uma calabresa que tava separando pra fazer molho de macarrão, e foi ela mesmo. Fiz tudo de cabeça mesmo – purê de batata e refogado de linguiça, vamos combinar que não é nenhuma física quântica.

Acabou saindo uma delícia do forno, e fica então a ideia da #CozinhaSimplesdaAna (risos) pra quando vocês estiverem sem ideia melhor:

escondidinho de batata baroa com calabresa

Batata e linguiça, ê lelê, que trem mais fitness dahora. né? Super light.

Bom, não é pra comer o tempo todo, claro. Mas como um prato praquele dia que você só tá pensando em confort food, por que não? Eu evito bastante linguiça, acho muito gorduroso, então tomei uns cuidados extras no preparo – isso se compararmos com a forma de cozinhar da minha mãe, porque se compararmos com a da Bela Gil eu ainda assim ultrapassei todos os limites mesmo. :D

É tão simples de fazer que só precisa de oito passos: descascar e cortar um quilo de batata baroa (foto 1), colocando pra cozinhar em água com sal até ficarem macias. Moer ou cortar em cubinhos uma linguiça calabresa de qualidade (acabei misturando com essa da foto 2, que pra ser sincera não gostei muito da textura então nem vou falar qual era). Ligue o forno a uns 200°.

escondidinho de batata baroa com calabresa 1

Enquanto a batata cozinha, refogue a linguiça (foto 3) com metade de uma cebola grande, um punhado bom de alecrim seco, pimenta do reino a gosto, e só um mini filete de azeite virgem pra untar a panela – se a sua for anti-aderente nem use nada. Passe o conteúdo pra um recipiente com papel absorvente pra retirar o máximo da gordura que sai da linguiça, e volte pra batata.

Gosto do purê bem durinho (4), por isso amasso de qualquer maneira com um garfo, e coloco um tiquinho mínimo de manteiga boa só pra ajudar na liga. Se você preferir e não for intolerante à lactose, pode acrescentar um pouco de leite. Pra finalizar, corrija o sal, acrescente pimenta do reino e um punhado de queijo parmesão ralado, e parta pra montagem do escondidinho num refratário: unte a forma com um pouquinho de manteiga, e faça uma cama com a batata, cobrindo fundo e lados (foto 5).

escondidinho de batata baroa com calabresa 2

Volte com a linguiça pra frigideira limpa, acrescente cinco cabeças de alho bem picadinhas, algumas azeitonas pretas cortadas, molho de tomate, e um pouco de água. Deixe cozinhar um pouco (enquanto isso você pode forrar o refratário com a batata), e depois coloque o refogado sobre a cama de baroa. Acrescente queijo parmesão, cubra tudo com o restante do purê, coloque mais queijo parmesão (use um bom, porque faz muita diferença!), e leve ao forno pré-aquecido a 200° por uns 25 minutos (ou até o queijo derreter).

Enquanto o escondidinho está no forno, prepare uma salada pra acompanhar (porque né?). Fiz uma bem simplesinha de broto de alfafa:

salada de broto de alfafa com tomate cereja

Preparei um molho simples com três colheres de sopa de azeite, uma colher de sopa de limão, uma pitada de sal, outra de pimenta do reino, e uma cabeça de alho bem picadinha. Alho não é bom pro bafo, mas não vivo sem o gosto dele pra temperar tudo o que posso (lembrando que, consumido cru, faz um bem danado pra saúde).

Corte tomates cereja em cubos, jogando fora as sementes (não é bom pra quem tem tendência a formar cálculos, tenho medo). Coloque numa vasilha os tomates e o molho, deixe marinando uns minutos, daí é só jogar os brotos por cima e misturar com as mãos mesmo – muito Jamie Oliver, me sentindo.

Comprei o broto de alfafa no supermercado mesmo, sem nem saber direito o que era (feijão? bambu? Precisei da ajuda dos universitários). Custou pouco mais de cinco reais uma caixinha, e foi o suficiente pra dois comerem. Enfim, não é algo super barato, mas quando a gente pensa que um pacote médio de Doritos custa quase a mesma coisa e não faz o mesmo pela nossa saúde… bem, escolhas difíceis, mas vamos focar em não voltar pro hospital. ;)

receita de escondidinho de batata baroa

Semana que vem tem mais um capítulo de Cozinha para Ingênuas by Ana Farias. Um dia eu prometo me aventurar por pratos mais elaborados.

Enquanto isso, pras que já são shidoshis das panelas e de ingênuas não possuem nada, visitem o blog da minha amiga querida e deusa da alimentação saudável de verdade, a Manu Alves do Cozinho, Logo Existo. Por lá só tem prato maravilhoso, meu sonho é contratar a Manu pra cozinhar pra mim… <3



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14/12
2014
Quatro sombras neutras incríveis da Contém 1g
Categoria(s) MakeUp, sombra
Ana Farias

Toda vez que falo da Contém 1g (e tô MUITO em dívida com a marca, porque me mandaram muita coisa bacana no meio dessa confusão de hospital na qual me meti e ainda não deu tempo de resenhar) faço questão de repetir: esqueçam a C1g do passado, aquela que eu mesma já meti o pau lá nos primórdios do blog. Não é a mesma marca!

Passada a reformulação, os produtos ficaram muito bons (e isso não é de hoje). Dizer que não paga o preço de uma base deles, mas pagar numa da MAC, por exemplo, eu acho bobagem. Tiro por mim, claro: não me dou bem com as bases da marca americana, e me dei super bem com as duas que já experimentei da brasileira. Mas esses são produtos mais caros, e a utilidade nesse caso é muito relativa, depende de tipo de pele e de tipo de bolso.

Já as sombras e os batons da C1g são mais baratos e possuem qualidade similar, por isso defendo que valem ais a pena. Separei alguns batons pra fazer swatch, mas hoje vou mostrar uma coisa que todo mundo que gosta de maquiagem precisa ter: sombras neutras. Passei na loja do Plaza Niterói outro dia pra indicar um batom pra uma amiga, e aproveitei pra fotografar alguns tons que me chamaram a atenção. Não comprei nenhum porque tenho cores próximas à maioria deles em paletas, mas deu vontade!

As sombras compactas custam R$38 cada. Às vezes rola promoção, então é bom ficar de olho…

CONTÉM 1G SOMBRA CRAVO

Cravo é um ocre opaco, marrom clarinho quente que eu gosto de usar pra fazer esfumadinho básico na hora do pressa, ou pra marcar côncavo de leve quando faço delineado sem grandes produções (ou seja, minha vida. O dia que eu aparecer mega maquiada, podem ter certeza que foi trabalho de outra pessoa). Acho essencial pra loiras.

CONTÉM 1G SOMBRA MARROM CAMURÇA

Marrom-camurça é um opaco de tom mais democrático: um chocolate quente que chega a dar vontade de comer. Gosto de usar esse tipo de cor pra marcar canto externo, côncavo, pra esfumar smokey com preto ou marrom escuro (que fica na pálpebra móvel; o marrom encontra ele no côncavo)…

CONTÉM 1G SOMBRA BROWN SHADOW

Brown Shadow é um marrom frio mais neutro, bom pra marcar côncavo. Pra quem curte suavidade, é perfeito. Pra fazer aqueles makes de puxadinha retrô, com pálpebra móvel clara e delineado preto, é muito bom.

CONTÉM 1G SOMBRA VIOLET DUST

Violet Dust, único cintilante do grupo, é quase um malva. Um dos tons de sombra mais lindos que já vi, e único que não tenho na coleção. Boa opção pra champanhes e dourados na hora de combinar com marrom.

Notem como a pigmentação delas é boa (não usei fixador)!

Algumas ideias:

maquiagem contém 1g

E o cut crease da Adele, que é amor com qualquer tom de marrom marcando o côncavo:

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10/12
2014
The Body Shop no Brasil
Categoria(s) Corpo, Fragrâncias, Hidratação
Ana Farias

Tô dizendo que devo ser a última pessoa do mundo (e culpo a internação) a saber que os produtos da badaladinha The Body Shop estão sendo vendidos nas lojas da Empório Body Store, que segue o mesmo estilo e tem cada coisa muito amada também.

Quem me avisou foi a @lucianaassai, durante uma ida ao Plaza Shopping Niterói. Como se não bastasse ter a tentação do Empório relativamente perto de casa, agora tenho que viver sabendo que lá encontro também todas essas maravilhas que concorrem com a Lush no quesito meus eternos favoritos.

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Consegui sair de lá sem gastar um tostão, mais pela vergonha que seria comprar coisas que já tenho em quantidades absurdas pra uma pessoa normal (por motivos de ganhar pelo blog, claro, porque não sou mais louca de ficar comprando e comprando e comprando sem parar e sem um pingo de necessidade) do que pelos preços em si. Barato como lá fora, claro que não é. Mas achei os preços competitivos em relação a algumas marcas nacionais mais conhecidas, tipo Natura e O Boticário.

Mas ter saído sem comprar não significa que não tenha saído apaixonada por muuuitaaaa coisa bacana. Como as linhas Moringa, Strawberry e Blueberry, pra começo de conversa. As fragrâncias são encantadoras, e é pra usar sempre que tiver com segundas intenções com o love, fato. Não tem homem (ou mulher) nessa Terra que não vá te adorar pra sempre. \o/

Agora, a linha que mais amei foi de longe a Mango, que tem uma proposta bem cheirinho de verão, com seus dias descontraídos de sol, frescor e leveza. Produzida a partir do óleo do caroço de manga, fruta tropical que confere aos produtos uma fragrância frutal ligeiramente adocicada.

the body shop MANGO

A linha é composta de:

Esfoliante em Óleo (R$ 59,90 | 200ml): à base de óleo vegetal natural, é ideal para peles secas e deve ser usado uma vez por semana. Possui óleos de caroço da manga, de soja, de amêndoas doces e de sementes de girassol, grãos de sal, açúcar natural,e extrato de Rosmaninho.

Lip Butter (R$ 19,90 | 10ml): hidratante intenso com textura cremosa que derrete nos lábios, deixando-os hidratados e macios. Possui manteigas de caroço da manga e karité, cera de abelha, vitaminas E e F.

Loção Hidratante (R$ 39,90 | 250ml): loção cremosa super perfumada pra pele normal a seca. Possui óleos de caroço de manga, de babaçu e de  sementes de girassol, polpa de manga, e glicerina. De fácil absorção, hidrata a pele sem deixá-la gordurosa.

Eau de Toilette (R$ 59 | 30ml): com maior concentração de óleo essencial da fragrância e extratos de fruta, frutos secos e flores naturais, é maravilhoso!

Body Butter (R$ 49,90 | 200ml): primeira das Body Butters, é um hidratante muito cremoso e facilmente absorvido pela pele, sendo ideal para pele normal à oleosa. Possui manteiga de cacau, óleo do caroço de manga, e óleo de amêndoas doces. Promete pele hidratada por 24 horas.

Shower Gel (R$ 29,90 | 250ml): sabonete líquido em gel com óleo do caroço da manga e glicerina.

Body Mist (R$ 49,90 | 100ml): água de banho leve e fresca, com fragrância frutal doce. Pode ser vaporizado em todo o corpo, no cabelo e na roupa. Possui álcool de origem biológica, extratos de fruta, frutos secos e flores naturais.

Tô louca na manteiga corporal e no EDT! E vocês, alguma outra fragrância preferida?



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09/12
2014
[Receita]: Batata frita de forno
Categoria(s) Comidinhas
Ana Farias

Eeeeee… como assim batata frita assada, que invenção é essa?

Bom, depois de dar adeus à vesícula, em teoria estou liberada pra comer aquelas gostosuras todas que me fizeram mal durante tanto tempo. Só que a verdade é que continuo impedida de me empanturrar com gordura. Primeiro porque isso faz mal pra qualquer um, com ou sem vesícula bichada. Segundo porque temo sobrecarregar o fígado. E terceiro porque uma das consequências de se ficar sem vesícula é comer alguma coisa mais gordurosa e ter uma tremenda dor de barriga! Imaginem só que minha maior aventura no momento seja descobrir o que posso e o que não posso comer na rua. \o/

Sendo assim, tenho procurado receitas que façam substituições de ingredientes muito gordurosos. Esse interesse, mais o repouso absoluto (que já acabou!), mais a gulodice taurina, mais o canal GNT, deu em horas assistindo programas culinários com elementos complicados que a cozinheira de mão cheia (só que não!) aqui nunca vai fazer. Mãns, de vez em quando surgia uma dica boa, e uma delas fiz, aprovei, repeti, e vou dividir com vocês. Não é nada demais e tenho certeza de que quase todo mundo sabe fazer já, mas sempre tem uma alma mais bobinha tipo eu que pode se beneficiar. Vai saber…

Quem deu foi meu deus maior dos programas culinários, (um viva para) Jamie Oliver. A ideia era fazer uma releitura dos clássicos do fast food segundo o ídolo Elvis – que adorava milkshake, hambúrguer e batata frita. A receita do hambúrguer foi mara, mas a de batata era bem mais simples… e foi ela que resolvi fazer!

A receita de batata frita de forno é quase igual a de batata sautée, então vamos ser chiques e chamá-la de Batata Sautée com Alho e Alecrim. Fica mais ou menos assim (porque pulei a etapa do alecrim):

batata frita de forno 1

Tá, vai, tô longe de ser uma Rita Lobo na hora das fotos. Mas dá pra ver como a batata fica com aparência de batata frita, ainda que tenha sido apenas cozida e assada? E o gostinho é de batata frita da boa, macia e sequinha, coisa que a gente dificilmente consegue fazer quando encharca as pobrezinhas no óleo.

Os ingredientes, ppra quatro pessoas:

- 1 quilo de batatas grandes (usei das pequenas)

- 1 bulbo de alho

- sal marinho

- pimenta do reino

-azeite

- um ramo de alecrim fresco e raspas de limão para o sal verde.

O modo de preparo, ridículo:

Coloque uma fôrma dentro do forno e aqueça a 230° Lavar as batatas e cortá-las com casca mesmo, em palitos gordinhos entre um e dois centímetros. Colocar numa panela com água salgada fervente (precisa cobrir as batatas e ultrapassar uns dois dedos), e deixar cozinhar por mais ou menos cinco minutos, ou até que estejam macias, mas al dente (é só espetar uma com um garfo pra checar). Quando estiverem prontas, retirar do fogo e escorrer.

Regar uma frigideira com azeite, e despejar em cima as cabeças de alho (não precisam estar descascados, mas eu prefiro). Mexer ligeiramente e colocar a batata por cima. Temperar com pimenta do reino. Retirar a fôrma do forno, colocar nela com cuidado o conteúdo na frigideira, e assar por vinte a trinta minutos.

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Meu prato parou por aí, já que não tinha alecrim fresco em casa. Usei aquele sal rosa do Himalaia preparado por virgens loiras que só se vestem com linho branco pra salgar mais um tiquinho, ao invés de preparar o sal especial do Jaime. Mas anotei a receita pra uma próxima vez:

Receita de sal de alecrim:

Remova as folhas do ramo de alecrim, e coloque-as num triturador. Acrescente raspas de um limão e sal marinho. Amasse tudo até virar uma pasta, acrescentando sal até que ela fique pouco úmida. Coe a mistura e guarde num vidro fechado. Coloque sobre as batatas na hora de servir.

A batata fica sequinha como uma batata assada, crocante como batata frita, e macia como batata cozida – o melhor dos três mundos. Dá pra fazer com outros tubérculos também, mas aí vamos combinar que deixa de ser batata frita, e se tem uma coisa que detesto são essas receitas à la Bela Gil (brigadeiro de aipim, bolinho de bacalhau de inhame, sushi de cenoura… me poupe! rs). No programa Ana Cozinha as coisas são feitas do que são feitas, e ponto! No máximo uma enganadinha… ;)



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04/12
2014
Chá de Sumiço
Categoria(s) Off-Topic
Ana Farias

Ei, gente!

Então finalmente deu pra sentar e explicar pra vocês o que está (ou estava, espero) acontecendo com o blog. Quem me segue no Facebook e no Instagram já tava sabendo que passei por um perrengue no mês passado, e foi isso que me afastou das atividades diárias por aqui.

Já fazia um bom tempo que meu médico suspeitava que eu tinha cálculo na vesícula. E por um bom tempo eu quero dizer uns anos. Como assim, suspeitava, Ana? É, suspeitava. Porque ele me encaminhou pra ultra algumas vezes, e eu simplesmente deixava pra fazer depois. Aí passava mal de vez em quando, bem mal (quem já teve problema de vesícula sabe a dor bizarra que se sente durante a crise), e me prometia correr atrás, e ouvia todo mundo dizendo pra resolver logo porque podia ter alguma complicação, e fazia uma dietinha de gordura nas duas semanas que se seguiam, e nada de fazer o exame.

Até que resolvi atacar o problema. Fazendo a ultra? Não, aceitando que não podia comer gordura. Tava numa negação tão grande em relação a ter que operar (me apavorava!) que simplesmente cortei gordura da minha vida. Aproveitei pra cortar refrigerantes, farinha branca, tudo de leite que começou a me fazer mal de dois anos pra cá (intolerância à lactose, uhuuu), doces na maior parte do tempo. E comecei a praticar o exercício físico mais à prova de desculpas que existe: caminhada. Com isso, imaginava que teria uma qualidade de vida maior, e que evitaria ter que operar. Parei de passar mal, e de quebra emagreci quinze quilos. Ah, se eu soubesse a merda que estava fazendo…

Acontece que um belo dia comecei a ficar enjoada. Ah, foi porque abusei. Comi umas friturinhas e bebi cerveja. Mas uma semana depois estava aos prantos. A dor não parava. Não era aquela dor ridiculamente forte que me impedia de respirar, de ficar sentada, de pé ou deitada durante uma ou duas horas, e que só passava depois que tudo que estivesse no meu estômago saísse pelo mesmo buraco que havia entrado (o que me fez não entender pra sempre quem força vômito como estilo de vida, porque ô coisa insuportável que é!). Era uma dorzinha que não passava nunca. Não tinha vontade de comer nada, e quase não comia. Às vezes a dor era mais forte, e eu chorava de raiva de mim, porque no fundo sabia o que estava acontecendo: as tais complicações. Aí entrei em pânico. Até onde teria de pagar pela minha irresponsabilidade?

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Entrei em parafusos. Nessa época já tinha praticamente abandonado o blog, não conseguia pensar em mais nada, só sentia desconforto e/ou dor. Chorava de medo, pesquisava no Google sobre todas as coisas horríveis que poderiam estar acontecendo no meu corpo. Chorava. Chorava. Chorava. Aí vi que não adiantava ficar imaginando o pior cenário possível, e marquei a ultrassonografia pra ter certeza do que estava acontecendo. O primeiro horário disponível era pra uma quarta-feira, e teria que esperar mais de dez dias (isso porque a atendente do laboratório foi uma fofa e não descansou enquanto não encontrou uma desistência, porque na verdade só havia horário pro mês seguinte). Dieta total. Vivia deitada na frente da TV, tentando acompanhar tudo que passava nos canais de viagem pra esquecer a dor e o medo de estar com os dias contados (a gente sempre tá, né, mas não saber exatamente é mais fácil de viver).

Até que na quinta-feira anterior à data do exame tive uma crise fortíssima. Genteeee, que horror. Até desmaiar de dor eu desmaiei. Meu primo me levou pro lugar mais próximo pra receber atendimento, uma UPA. Fui super bem atendida, mas só me deram medicação pra dor e a sugestão de ir pra um hospital o mais rápido possível. Coisa que fiz no dia seguinte. Fizeram uns exames, suspeitando de pancreatite (um dos meus medos), mas deu negativo e não me internaram. Ainda fui parar mais uma vez no hospital, no domingo, onde fiz mil exames de sangue e uma médica resolveu que eu tinha algo que provavelmente não tinha, e ainda fui eu sofrer com efeito de antibiótico.

Resolvi esperar a ultra, e ao mesmo tempo entrei em contato com uma cirurgiã amiga de uma tia. Ela resolveu num instante. Trabalha num hospital público que é referência pra esse tipo de cirurgia, e sendo urgência disse que eu conseguiria internação imediata (lá tinha inclusive um médico com plano de saúde super bom, mas que não conseguia marcar exames, que dirá cirurgia!). Era pra ter sido internada na terça de manhã, mãns… na segunda de noite tive uma crise daquelas. Brabíssima! Me levaram correndo até o tal hospital, mas ainda assim não pude ser internada, só medicada. A dor não passou e tive que aguentar até o dia seguinte, quando fui finalmente internada.

Fiz a ultra no dia seguinte. Pedras, pedras e mais pedras. No outro dia me mandariam pra uma endoscopia no Rio, mas por causa de uma série de pequenos erros de comunicação, acabei tendo que esperar até a semana seguinte pra fazer esse exame. O que significava ficar internada AND sentindo dor. Comer me fazia passar mal, então me colocaram em dieta zero. Só podia água? Quem me dera. Só no soro. O acesso era trocado a cada dois ou três dias, e doía o tempo todo. Fora que nem todo mundo era delicado, e ou doía pra achar a veia, ou apertavam demais e doía com a passagem do soro.

A endoscopia foi a PIOR coisa que já aconteceu fisicamente na vida. A experiência não é igual pra todo mundo. A menina que foi comigo não sentiu nada, por exemplo, mas sofreu com a anestesia. Eu não tive problema nenhum com a anestesia, mas senti muito desconforto durante o exame. Que horror que foi. Vomitei na maca. Um nojo. E lá tiveram certeza que eu não tinha pancreatite, e que a dor estava sendo causada por cálculos que tinham escapado da vesícula. E era muita pedra, gente. Os médicos disseram que se eu espirasse, escapava cálculo. Tinham feito um procedimento chamado Papilotomia, e pelo menos a dor passou. E aí chegou o dia que mais chorei nesse período: eu achava que seria operada três dias depois, mas descobri que teria que esperar uma semana ainda. Duas semanas internada, esperando. No hospital peguei até fama de chorona, mas a maioria dos enfermeiros, técnicos e médicos eram até bem pacientes em relação a isso. Porque entendem. Eles vêem coisas piores acontecendo todo dia, mas entendem. Às vezes parecem duros, mas já pensaram se eles chorassem junto com a gente a cada história triste que acompanham? Pois é.

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O tempo se arrastava. Dividia meu dia entre hora de banho, de remédio, de visita, de ronda dos médicos, de troca de turno dos enfermeiros. E da chegada da comida, que eu nem sabia mais que gosto tinha. E só parei de fazer minhas visitas ao pequeno pátio quando fiquei fraca demais pra me animar a fazer o percurso até lá. Aprendi a dar um valor tão grande à luz do sol que vocês (que nunca estiveram internadas) não fazem ideia. Fiquei muito deprimida. Imagino como seria sem internet e whatsapp.

Uns quatro dias antes de operar me tiraram da dieta zero. Aí aprendi sobre os pequenos prazeres. Bolsa de grife, sapato caríssimo, viagens paradisíacas? Esqueçam. Não existe coisa melhor do que sentir água escorrendo pra dentro da garganta. Garanto a vocês. Nem quando finalmente retiraram meu acesso foi tão bom, ainda que eu tenha chorado de felicidade – a ponto de tirar foto pra mostrar pra todo mundo, já que aquele foi o meu segundo dia mais feliz naquele hospital (o mais feliz foi sem dúvida quando tive alta).

Apesar das pequenas alegrias mais pro final das duas semanas de internação, todo aquele estresse me fez perder quatro quilos e meio. Eu olhava no espelho e não me reconhecia. Tinha envelhecido um ano pra cada quilo perdido. Cara de doente. Doente de verdade, não de doentinha de gripe. Dava uma angústia muito grande, mas minha preocupação maior era que os dias passassem logo. E eles passaram, com gente querida me visitando todo dia, me mimando tanto que fiquei até mal acostumada. Era revista, livro, amostras de creme pro rosto, um bolo de limão que precisou voltar com a amiga porque eu não podia comer, e gilete, e acetona pra tirar o esmalte que já tava velho, e escapulários, e até um Tic Tac de laranja (meu sabor preferido), contrabandeado com amor pra que eu ficasse mais tranquila a respeito do bafinho da falta de alimentação. Pequenos prazeres, os melhores.

No dia anterior à operação eu meio que entrei em pânico (um paniquinho, vai). Afinal era o que eu temi durante todo aquele tempo no qual não fiz nada pra resolver efetivamente o problema. Mas, como por mágica, no dia seguinte eu era a pessoa mais calma do hospital. Fui tão feliz pra sala de operação que não tava nem me reconhecendo. Ainda rolava o medinho da anestesia geral, mas tava de boa. Só rezei muito pra sair dali viva e pronta pra outra. E finalmente chegou a hora que demorou duas semanas pra acontecer.

O anestesista era engraçado e me fez rir bastante. Tudo bem, garota? (adorei o garota) Tudo ótimo! (respondi) Tá tudo ótimo é? Então tá fazendo o que aqui, então? E contou histórias ótimas de viagens pela Europa, e eu só pensava o quanto queria estar viva no dia seguinte pra planejar as minhas também. E, quando chegou a hora da anestesia, entra um dos muitos médicos gatos que me acompanharam naqueles dias ruins, assoviando a música do Rei Leão. E o anestesista seguiu assobiando, junto com mais alguém na sala, e eu já começando a sofrer os efeitos da anestesia comecei a rir, rir, rir, e rir, e…

… e aí acordei (horas depois, imagino) com a voz do anestesista me chamando. Ana? Ana? Você foi operada e correu tudo bem. Como você está se sentindo? E me lembro perfeitamente de dizer “Rei Leão. A música do Rei Leão”, antes de apagar de novo.

De volta ao quarto, ainda passei um bom tempo grogue (e cega, porque precisei tirar a lente de contato e isso no meu caso significa virar o Mr Magoo). Quando me mostraram minhas pedras, quase passei mal. Todas que tinha visto até o momento tinham aspectos mais ou menos uniformes, mas a minha era uma massa nojenta com cálculos de todos os tamanhos e formas, e mais um resíduo pastoso que era na verdade pequenas pedras que tinham se dissolvido. Não acreditei que aquilo estava dentro de mim, e eu permitindo a estadia indesejada.

No mesmo dia caminhei pelo quarto, só consegui fazer xixi quando consegui sentar no banheiro. Antes tentei comadre, tentei fralda, nada deu certo e já tava com medo de não normalizar – tinha medo de qualquer coisa que pudesse impedir minha alta no dia seguinte. Comi e não vomitei (que é condição pra ter alta). Só me sentia um pouco tonta quando ficava muito tempo em pé, mas isso era esperado. Vim pra casa numa felicidade tão grande que nem passou pela minha cabeça que aquilo tudo ainda estava longe de acabar.

O pós operatório. Ai meu Deus. Tava tão preocupada em sair do hospital que nunca parei pra pensar nele. Pra cada pessoa é diferente, e conheço mil que fizeram cirurgia de vesícula por videolaparoscopia e NINGUÉM reclamou do pós. No meu caso, uma dor horrível nas horas seguintes à alta, a ponto de eu pensar seriamente em retornar ao hospital. Muita dor. Não conseguia ficar em posição nenhuma, já não tinha acesso às #dorgas maravilhosas, e o umbigo parecia ter vida própria, e era uma vida ruim, porque ele fazia questão de reclamar o tempo todo.

Resumindo, foram dias e dias de desconforto intenso, de só poder ficar deitada, de muita dor quando levantava ou deitava de novo, de só poder dormir de costas, de andar curvada, de trocar curativo, de pele irritada por causa do micropore, de dores ocasionais por causa de gases, de tomar banho com ajuda, de medo de ter hérnia no umbigo, de passear alguns metros e sentir um cansaço pior do que se tivesse corrido dez quilômetros. Coisa que aliás só vou poder voltar a fazer em março do ano que vem, correr. A tristeza que senti quando o médico me disse isso foi maior do que quando ele disse que atividades sexuais normais só depois de dois meses. Que não me ouçam, mas a ideia de ficar sem corrida foi bem mais dolorida.

E nem contei, mas nesse meio tempo perdi minha cachorra, que estava doente também. Foi bem triste. Mas tive outra pequena alegria, que foi a companhia da Mel, “poodle fake” de uma das minhas tias, assim que voltei pra casa. Nada como um cachorro pra aliviar a tristeza da gente.

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Enfim, gente, pra que tô contando tudo isso?

1 – Pra explicar a falta de posts. Várias vezes disse que “hoje sai post”, mas não conseguia ficar sentada pra escrever. O último que subi foi motivo pra tanto desconforto depois que acabei desistindo até tirar os pontos e o corpo se fortalecer um pouco mais. Por isso também não respondi (ou publiquei) comentários, e a caixa de entrada do email está de dar medo.

2 – Pra tentar influenciar vocês positivamente. Façam ultrassonografia anualmente, mesmo que não sintam nada. Conheci várias pessoas que só tiveram uma crise e foram operadas de urgência, e algumas que nem crise tiveram – descobriram as pedras por acaso, procurando outras coisas em exames de rotina. Cuidem-se nesse sentido, porque o normal é ser internada num dia e sair no máximo dois dias depois. Eu tive que passar duas semanas internada, com algum tipo de dor na maior parte do tempo, fazer um exame invasivo (a endoscopia) e um procedimento chato (a papilotomia), enfim, um sofrimento desnecessário se eu tivesse ouvido a razão.

3 – Pra dizer que hábitos saudáveis não resolvem tudo. O que resolve é encarar o problema (e os medos) de frente. Tá sentindo dor? Vai atrás de descobrir o porquê. Um dos médicos comentou que o fato de eu ter emagrecido muito num curto espaço de tempo pode ter contribuído pra toda essa crise louca. Ou seja, a gente acha que tá fazendo um bem pro corpo, mas sem acompanhamento médico pode estar se fazendo mal sem perceber.

Fiz a cirurgia há 17 dias, ainda estou em dieta, os cortes incomodam (cada dia um pouco menos), já consigo dormir algumas horas de lado (#pequenasalegrias), e o único problema é meu pobre umbigo que resolveu dar seroma (uma água normal principalmente em regiões gordurosas) e continua dolorido – e sendo muito zoado pela minha família, porque virou uma piscina, de tão arrombado, tadinho. Não prometo ainda posts diários, mas aos poucos vou retomando minhas atividades por aqui. Até porque fazer repouso é tão entediante que eu ando brigando com todo mundo por nada e comendo tudo que aparece pela minha frente. Já que não dá pra fazer atividade física e em teoria logo estarei liberada pras delícias que não podia comer antes… bom, engordar jamais seria a pior coisa do mundo, especialmente agora que passei por tudo isso, mas quero evitar. Então simbora resenhar todas as coisas lindas que recebi nas últimas semanas!

Então é isso. Mais importante do que tu-do: cuidem da saúde de vocês e evitem complicações desnecessárias. Saúde, definitivamente, não tem preço. A gente sempre sabe disso, mas só quando passa perrengue é que aprende a valorizar de verdade. Beijo procês!



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